Um sonho vivo para as árvores

todo-dia-da-arvore

publicado primeiro no portal Conexão Planeta no dia 22 de setembro de 2016

Acordei cedo e abri as janelas. Pude observar o horizonte, muita natureza, um lindo nascer do sol. Inúmeras espécies de árvores diferentes em seus formatos de copa, desenho de folhas, tons de verde. Ainda tinham aquelas floridas e coloridas que com o raiar da luz da manhã ganhavam vibração de cor mais bela. Escutava o canto das aves, muitos tipos diferentes, enxergava até mesmo o movimento de uma família de macacos por entre as copas.

Com a xícara de café nas mãos, saboreava com todos os sentidos e muita satisfação. Sabia que a produção desse café é responsável, cultivado em harmonia com a floresta. Se beneficiando da riqueza de qualidade de solo que somente a floresta oferece.

Fui caminhando para o trabalho, apreciando a natureza do bairro de perto. Borboletas voavam de um canteiro florido para outro, crianças cuidavam com suas turmas de escola dos pequenos lotes de jardim produtivo e horta comunitária. Calçadas largas e ruas arborizadas, muitos caminhos com a copa das árvores se encontrando e se tocando criando bonitos padrões de sombreado no chão.

Observei uma celebração de um grupo de pessoas ao longe, em uma biblioteca, que fica no mesmo quarteirão do museu, pessoas mais velhas e crianças se uniam com alegria para realizar o plantio de árvores – ainda pequenas mudinhas –  as mais jovens moradoras do novo jardim inaugurado no local do antigo estacionamento.

Mais adiante pude ver os comerciantes regando as pequenas mudas nativas plantadas no novo calçadão inaugurado em uma das ruas mais antigas do centro da cidade. Esse momento da rega era também feliz! Clientes e lojistas lembravam com alegria do dia do plantio, esperando com paciência e carinho o desenvolvimento pleno de cada uma dessas queridas árvores nativas que contavam a história ambiental da região.

Na nossa cidade, as árvores foram todas plantadas nos locais definitivos desde pequenas mudas com pouco mais de 40 cm de altura. Todos sabem o valor das árvores para a vida. Todos se sentem responsáveis por cuidar com enorme sentimento de agradecimento e consciência da importância de cada uma delas para todos seres, para a cidade, para o país.

Afinal, somos o país que tem o nome de uma árvore. Escolhemos esse nome, pois a florada amarela do pau-brasil na primavera, sempre compôs lindamente a paisagem com o verde brilhante da mata de maneira apaixonante. Preservamos todas essas árvores, honramos e cuidamos da maior parte do território de nossas florestas e dos nossos mais diferentes biomas. Somos um povo orgulhoso da nossa identidade ambiental. Temos em nossa essência de vida o meio ambiente e somos gigantes por nossa natureza.

Aqui a legislação tem a natureza, o solo, os rios, as montanhas, os animais e todas as árvores como sujeitos de direito. A sociedade, em todas as cidades do país, atuam voluntariamente cuidando de todas as árvores. Fazem cursos para identificar as espécies, para aprender a coletar e armazenar sementes, germinar, plantar, realizar cuidados com a saúde de cada árvore. São grupos espalhados em todos os cantos do país, que se dedicam e se organizam em competições saudáveis que medem quantas árvores foram plantadas, salvas, curadas e cuidadas ao longo de cada estação. Uma atividade incrível que mobiliza todas as idades, famílias e moradores de cada região.

Essa época do ano é linda e sublime, a chegada da primavera renova os sorrisos e é a época que mais ações dos programas de cuidado com a natureza acontecem em todo o território nacional. Essa cultura é tão forte e enraizada no povo que a notícia dos eventos e encontros tem destaque internacional na mídia como modelo para outras nações.

De repente, no caminhar por meio ao bosque, um barulho alto e estridente arde meus ouvidos. Acordo repentinamente do meu sonho. Estou no centro, da maior cidade do Brasil. Todos os dias acredito que os sonhos podem se tornar realidade. Que todos os dias seja o dia das árvores e que, na primavera, todos encontrem e germinem a semente de amor pela natureza.

Foto: Aline Arruda/Criança e Natureza

Abacateiros e mangueiras nas cidades

mangueiras-cidades

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 23 de agosto de 2016

Duas frutas incríveis em forma, cor, sabor, tamanho, aroma. Saborear uma delas vale por uma refeição. Sustentam, nutrem e ainda resgatam memórias de infância, de brincadeiras sob suas sombras. Mesmo em meio ao concreto paulistano é possível encontrar diversos exemplares de mangueiras e abacateiros plantados em calçadas, praças e parques. Como sou moradora e nascida nessa megalópole, além de ávida observadora de árvores, noto que muitos indivíduos dessas espécies concentram-se perto de pontos de taxi e pontos terminais de ônibus. Elas são como grandes mães e cuidadoras, fornecem suas sombras e frescor da umidade evaporada das folhas, são provedoras de néctar para os mais diversos polinizadores e, claro, chefs gourmets na produção de frutos grandes, suculentos com suas polpas deliciosas.

Água na boca, aqui, enquanto escrevo este post. Quem ainda não provou essas riquezas naturais, recomendo que faça isso urgente! Além de ganhar uma experiência incrível para o paladar, vai suprir o organismo com inúmeros nutrientes que elas fornecem.

Belém do Pará é a cidade das mangueiras. Certa vez, quando tive a alegria de visitar rapidamente a cidade, ainda no avião uma passageira compartilhou comigo o presente que recebeu das árvores cuidadoras. Ela, grávida, com uma certa fome, esperando o ônibus no ponto, sentiu um peso puxar bruscamente seu vestido para o chão, quando notou, uma manga havia caído no bolso de seu vestido. Agradeceu o presente e nutriu-se desse sabor. Eu havia sido convidada para dar uma palestra no TEDx Ver-o-peso (que você pode assistir no final deste texto) e compartilhei, lá, esta história. Em Belém, abracei algumas mangueiras incríveis e enormes que habitam praças e ruas da cidade. Só me lembro de ter visto mangueiras desse porte no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, local que todo amante da natureza deve visitar se tiver a oportunidade!

mangueiras-cidades-florA mangueira (Mangifera indica) já era domesticada na Índia, em 2.000 a.C.. Da família botânica Anacardiaceae, tem parentesco com o cajueiro e a aroeira. Esta família possui 83 gêneros e cerca de 860 espécies. Agora reconhecida mundialmente, a manga é chamada de rainha das frutas tropicais. Seu nome em sânscrito é amra. Introduzida por volta do ano mil na costa da África ocidental pelos Persas, chegou ao Sul da África e ao Brasil pelas mãos dos portugueses no século XVI. Em estado selvagem, pode ser encontrada no Sri Lanka e em reservas aos pés do Himalaia. Chega a 30 metros de altura e sua semente tem viabilidade germinativa de cerca de 100 dias. Pedaços da fruta mergulhados no limão duram mais sem escurecer. Possui vitamina A na polpa e, na África, é costume ferver a casca da fruta – rica em terebintina – para preparar remédio para cólica e contra disenteria.

IMG-20160814-WA0020E o abacateiro? Nativo da América Central é um fruta que foge à regra. Em 1 kg de polpa, pode conter 250g de gordura e o seu teor de açúcar é muito baixo – o equivalente a metade de uma laranja. Por isso, seu sabor não é doce nem ácido. Em sua família botânica, a Lauraceae, há 45 gêneros e incríveis 2.850 espécies, incluindo exemplares de árvores, arbustos e, até mesmo, parasitas. Nesta família, podem ser encontradas espécies aromáticas e condimentares como louro, canela, cânfora e madeiras como a imbuia. O abacate é utilizado em todo o mundo em receitas doces ou salgadas como saladas e molhos, por exemplo, o guacamole.

Cultivado desde 8.000 a.C. no México, é chamado aguacate, palavra derivada do asteca ahuacatl –  terminação “atle”. Vale a pena assistir (aqui) a edição especial sobre a árvore no programa Um pé de quê. No Brasil, ele foi oficialmente introduzido em 1809, mas as variedades de altitude mexicanas e guatelmaltecas, só foram melhoradas após 1925. Uma dica culinária: se for guardar ou esperar até o momento de servir, deixe a semente dentro de um vasilhame com a polpa. Essa ação evita seu escurecimento.

O óleo de abacate tem incontáveis usos, tanto para fins cosméticos, como medicinais. Persea americana pode atingir até 20m de alturasuas folhas têm propriedades diuréticas e o fruto é antianêmico. Para os índios da América Central, é árvore sagrada que dá força e virilidade. Comer sua fruta garante bom humor, vigor muscular e alguns dizem ser afrodisíaca. É rica em vitaminas A, B e E, além de potássio e muitos sais minerais, no entanto é deficiente em vitamina C. Dependendo da variedade de abacateiro, seus órgãos reprodutivos atingem maturação em horários diferentes, sendo assim, para acontecer a polinização, é preciso planejar o plantio de maneira a ter árvores que amadurecem nos horários diferentes no mesmo pomar.

Neste inverno, na capita paulista, já notei a floração de mangueiras e abacateiros, como grandes amigas companheiras. É fácil encontrá-las plantadas uma ao lado da outra, muitas vezes em reduzidos espaços em meio ao concreto. Unidas e persistentes em sua missão de vida, florescem lindamente, atraindo abelhas e outros pequenos insetos com o perfume de suas flores. Em breve, poderemos caminhar e encontrar pequenas frutas crescendo nas copas. Em alguns locais, na região centro-oeste de São Paulo – onde caminho com mais frequência -, já vi frutos de abacate maduro no chão servindo de alimento para um grande número de aves, principalmente sabiás.

Encontrar essas belezas nas calçadas não seria o mais indicado para os carros que, por vezes, são estacionados embaixo de suas copas. Mas, em vez de pensar em remover uma dessas árvores-mãe, fique atento: aprecie, encante-se com sua rica vida e encontre outro local para o seu veículo. Precisamos dar espaço e tempo para a vida natural e para cada árvore que nos oferece tantos benefícios. Podemos buscar soluções e saídas para a vida arbórea que já está plena e forte na cidade, cuidar dela e planejar adequadamente os novos plantios. Uma rede instalada embaixo da copa pode ser uma solução nesse caso.

Adoro estas árvores, também por mais um motivo especial. Pesquisar árvores é também pesquisar sua interação com a paisagem, com outros seres vivos e sobre a história natural. Toda planta possui seu sistema de polinização e dispersão de sementes conectado plenamente com a fauna e o ambiente. No caso do abacateiro e da mangueira, temos exemplos claros de que seus dispersores deveriam ser grandes, bem grandes. Pois, ao se alimentarem dos frutos inteiros, após a digestão levam suas sementes para longe da árvore-mãe. No caso do abacate, por estar aqui na América Central, o principal dispersor era a preguiça-gigante que, há cerca de 12 mil anos, ainda caminhava por estes territórios. Fascinante a viagem no tempo e os aprendizados que cada árvore pode nos dar. Até a próxima!

Fotos: Juliana Gatti

Sete árvores PANCs

sete-arvores-pancs

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 10 de maio de 2016

A alegria de conhecer a origem viva dos nossos alimentos é indescritível. Já vi pessoas se emocionarem profundamente quando têm a oportunidade de fazer esse link. Trata-se de uma possibilidade de reverência à nossa própria existência. Conhecer a planta mãe que “entrega” sua raiz, seu fruto, as sementes, sua casca, folhas e flores para servir de alimento para cada um de nós todos os dias.

Uma das abordagens mais interessantes relacionadas ao mundo das plantas e que tem chamado muito a atenção das pessoas, nos últimos tempos, é a das PANCs ou Plantas Alimentícias Não Convencionais. Elas são exatamente isso: plantas com propriedades alimentares, mas pouco conhecidas, pouco consumidas, quase nunca reconhecidas ou valorizadas, mas que têm tanto a oferecer, como texturas e sabores novos para nosso organismo, para nossa experiência de vida.

Há algumas poucas semanas, no encontro de troca de sementes e mudas que realizamos – este ano em parceria com o projeto VC Muda! -, tive a oportunidade de caminhar pelas alamedas do Parque Jardim da Luz seguindo o olhar do Guilherme Ranieri, especialista em PANC e autor do blog Matos de Comer. Tudo foi encantador: o passeio e a quantidade de aprendizados, muito valiosos para a mudança de relação com o espaço urbano no dia-a-dia.

Assim também foi uma enorme alegria para mim e todos os presentes acompanhar a visita guiada por Neide Rigo do Come-se na expedição que organizamos durante o Festival Cultivar, no ano passado, na Horta Comunitária do Centro Cultural São Paulo.

A partir destas vivências guiadas, todos descobriram inúmeras herbáceas, arbustos, forrações, trepadeiras e tantos outros tipos de plantas diferentes para apreciar e saborear com consciência e respeito. Inspirada pelas PANCs, selecionei árvores nativas brasileirasainda não tão convencionais no prato dos brasileiros -, mas até que fáceis de encontrar nas ruas das cidades.

MONGUBA – Pachira aquatica
Hum…. Juro que sempre que encontrei essa árvore pelo caminho, prestei atenção para ver se tinha frutos. Um belo dia, em viagem pela Bahia, tive a alegria de encontrar sementes de monguba e saboreá-las. São deliciosas, mas devem ser consumidas sem exagero. Nativa da região amazônica e do Maranhão, a monguba é muito comum no meio urbano. Já a encontrei diversas vezes no interior e na capital paulista, como também na cidade do Rio de Janeiro. Suas flores são lindas e a casca do fruto – grandioso e marrom – é bastante texturizada. As sementes servem a inúmeros preparos: em torradas, são comparáveis às melhores amêndoas e castanhas; trituradas, são base para pães, bolos, paçocas e, até, para empanar peixes; cozidas, lembram as castanhas-portuguesa. Suas folhas jovens, ainda brotando, podem ser consumidas como verduras. Outro nome da monguba é castanheira-d’água fazendo a ponte com o uso importante das suas sementes.

CAMBUCI – Campomanesia phaea
O cambuci é uma PANC que já começa a ser mais conhecida por toda a população, principalmente pelo trabalho que tem sido realizado ao longo dos últimos anos para resgatar a sua cultura de consumo nas mais diferentes formas: sorvetes, bolos, cachaças, geleias, sucos da fruta e até molhos para acompanhar carnes. Nativa da Mata Atlântica, chegou quase a extinção. Comum na cidade de São Paulo, deu nome a um bairro central e, hoje, cada vez mais pessoas querem ter um pé de cambuci perto de casa. Suas frutas – o formato lembra um “disco voador” – são de sabor azedinho doce. A árvore é parente das conhecidas pitangueiras, jabuticabeiras e goiabeiras, mas ainda precisa ganhar mais notoriedade para perder o título de PANC.

JENIPAPO – Genipa americana (é a planta que aparece em primeiro, na montagem que abre este post)
Uma das ofertas mais conhecidas do jenipapo é seu pigmento para tingir tecidos e artesanatos. Mas seu fruto, quando colhido muito maduro,  já no chão, é muito utilizado no preparo de doces, sucos, sorvetes e licores. Algumas pessoas adoram, outras não gostam nem um pouco. Salgados podem virar picles e ser cozidos com carnes. Com o fruto verde, que não é comestível, o livro Plantas alimentícias não convencionais no Brasil sugere a receita de um bolo que, depois de assado, fica azul; é só juntar à massa a polpa de jenipapo verde, ainda na cor creme. Vale a experiência culinária para saborear um resultado curioso promovido por uma das riquezas da flora brasileira.

SAMAÚMA e PAINEIRA (terceira na imagem que ilustra este texto) – Ceiba speciosa, Ceiba pentandra
Nesta seleção de PANCs, estão duas espécies que nos trazem uma novidade na oferta de sabores e de alimentos. A samaúma é o que podemos chamar de uma PANC inteira porque podemos consumir suas folhas jovens, as sementes torradas ou germinadas, os frutos imaturos, os botões florais e até a madeira de seu tronco queimada, já que produz uma cinza rica em sais.

No caso da paineira, os registros de uso alimentar se referem mais às folhas e às sementes. E, em ambos os casos, os preparos são muito variados. Encontramos receitas como patê de folhas com ricota, bolinho de folhas, brotos de sementes cruas ou em sopas, frutos jovens preparados como quiabo. Toda essa diversidade de receitas e alimentos, só podia vir das mães da floresta!

ABIU – Pouteria caimito
Fruta abundante na Amazônia, mas também presente na Mata Atlântica de São Paulo até o Ceará. Pode ser consumida in natura com colher, evitando o látex da casca. Suas principais receitas feitas com a polpa são sorvetes, mousses, geleias e sucos, além de preparada como doce e ainda cozida ou assada, neste caso para ser consumida salgada. Difícil encontrar o fruto fresco para consumo, a não ser que tenha um pé no seu pomar.

CORTICEIRA E IPÊS – Erythrina falcata, Handoanthus chrysotrichus (imagem do meio da montagem que abre este texto), Tabebuia roseoalba
As flores que tanto chamam nossa atenção por colorirem as copas e a paisagem, principalmente no inverno, podem ser consumidas se preparadas com o devido cuidado. Receitas com as flores de eritrina são comumente consumidas na Argentina, temperadas com pimenta e cebola. As pétalas das flores são carnosas, com consistência similar a de cogumelos após refogados. Quando colhidas diretamente da copa ou quando recém caídas no solo, remove-se os cabinhos e o cálice da base. Resultam em ótimas combinações com alho e, até, em recheio de tortas ou pastéis.

Já as flores dos ipês-amarelos e ipês-brancos podem ser consumidas como saladas cruas, complementando folhas verdes e temperadas com limão, molho de soja, azeite. Outros preparos recomendados em literatura são as flores salteadas e empanadas. Não há necessidade de retirar a base da flor, mas pode-se usar somente as pétalas. Como elas são muito comuns na arborização urbana, depois de bem lavadas podem ser uma boa novidade para o paladar.

BARU – Dipteryx alata
As sementes são amêndoas saborosas, possuem grande concentração de proteínas, lipídios, fibras, ferro e zinco. A árvore é nativa da região Centro-Oeste do Brasil, comum no Cerrado de Minas Gerais. Dentro do fruto, há uma única semente. Em quantidade, as sementes podem ser torradas para serem consumidas como tira-gosto ou transformadas em farinha. Com o Baru se produz bolos, farofas e até pé-de-moleque deliciosos.

Estas são somente sete espécies. É pouco se pensarmos no grande mundo da diversidade da flora brasileira. Mesmo assim, já deu muita água na boca, não é mesmo? Conhecer mais sobre as árvores e plantas é assim: além de nos apaixonarmos por elas, vamos querer que estejam cada vez mais perto de nós!

Foto: Juliana Gatti/montagem de recortes de jenipapo, ipê-amarelo, paineira

Hoje é o #DiadeDoar – Apoie o Instituto Árvores Vivas

twitterPrecisamos da sua doação para realizar este projeto em 2017.

QUEM SOMOS
O Instituto Árvores Vivas para Conservação e Cultura Ambiental tem atuação dedicada ao desenvolvimento do vínculo das crianças e toda sociedade com a natureza desde 2006. Nossa missão é de semear o relacionamento integral das pessoas com a natureza para a qualidade e a valorização da vida.

Atuamos diretamente com crianças e formação de educadores, facilitadores e comunidades, fortalecendo os processos investigativos, apreciativos, sensoriais e informativos em contato com a natureza no dia-a-dia da vida de todos.

Faça sua doação para o #ÁrvoresVivas no dia 29 de Novembro – HOJE. O link da nossa campanha é este aqui.

Veja este vídeo tutorial de como fazer a doação na plataforma juntos.com.vc acessando este link

Contamos com vocês #apreciaranatureza#CulturaAmbiental #CriançaeNatureza Divulgue nas suas redes sociais, convide sua família e amigos para fazer essa doação no Dia de Doar Internacional!

OBJETIVO
Em 2017 queremos realizar uma programação especial para as crianças e comunidade na região central da cidade de São Paulo – no bairro do Bom Retiro e Campos Elíseos – onde fica a sede do Instituto Árvores Vivas. Vamos realizar encontros informativos, formação de educadores e mutirões com as crianças e comunidade no cuidado com as árvores, implantação de horta comunitária e valorização dos ativos ambientais da região.

CONTRIBUA
Precisamos de recursos financeiros para subsidiar nossa programação para o próximo ano de atividades. Os valores arrecadados no Dia de Doar serão integralmente destinados para essa programação. Eles serão aplicados nos custos de mudas, sementes, insumos para oficinas e horas de consultoria de especialistas. Contamos com sua colaboração. Convide sua rede de amigos para apoiar esse projeto. Faça parte das ações do Instituto Árvores Vivas. Seja um doador e ativo guardião das árvores e natureza! Semeie exemplos de respeito e amor pela natureza para nossas crianças.

Todos doadores que contribuírem no Dia de Doar terão passe livre no Happy Hour na Vila Butantan dia 29 de Novembro. Acesso livre para todos que apresentarem o comprovante de doação ou fizerem doação no local, mais detalhes do Happy Hour aqui no evento do Facebook.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

————————————

Your contribution will give children and communities the opportunity to nurture their relations with trees and nature.

WHO WE ARE
The Living Trees Institute for Conservation and Environmental Culture has been dedicated to the development of the bond of children and all society with nature since 2006. Our mission is to sow the integral relationship of people with nature to the quality and value of life.

We work directly with children, educators, facilitators and communities, strengthening investigative, sensorial and informational processes in contact with nature in the day-to-day life of all.

Click here to acess our campaign. Make your donation today!

OBJECTIVE
In 2017 we want to carry out a special program for children and the community in the central region of São Paulo – Bom Retiro and Campos Elíseos – where the Instituto Árbores Vivas is located. We will hold informative meetings, workshops for educatior and gather efforts with children and community in the care of the trees, native gardens, implementation of community edible garden and valuation of the environmental assets of the region.

CONTRIBUTE
We need financial resources to subsidize our programming for the next year of activities. The amount collected on Giving Tuesday will be fully allocated to this action. They will be applied to the costs of seedlings, seeds, workshop supplies and expert consulting hours. We count on your collaboration. Invite your network of friends to support this project. Be part of Living Trees Institute actions. Be a giver and an active guardian of trees and nature! Sow actions of respect and love with nature for our children!

We are counting on you!

All donors who contribute on Giving Tuesday will have a free pass on Happy Hour at Butantan Village on November 29th.

Nossas árvores africanas

nossas-arvores-africanas

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 19 de abril de 2016

A população brasileira é dotada de grande pluralidade cultural, com referências que reúnem conexões com todo o mundo. Historicamente, desde a chegada dos portugueses vemos essa mesma pluralidade retratada na vegetação que ocupa nossas cidades.

Como já disse no post anterior, neste blog, a maior parte da vegetação utilizada ao longo dos últimos cinco séculos na composição paisagística urbana é basicamente exótica, ou seja, é formada por espécies originárias de outros países e biomas. Em inúmeras cidades brasileiras, temos árvores e outras categorias de plantas vindas de quase todos os continentes. Por isso, quando caminhamos  pelas ruas e aprendemos a conhecer as espécies, o que acontece, na verdade, é o aprendizado de um pouco da identidade ambiental de inúmeros lugares do mundo.

São árvores que têm raízes evolutivas na África, na Ásia, na Europa, Oceania, em ilhas diversas, na América Central e também em muitos países vizinhos do Brasil. Essas espécies chegaram por aqui de formas diversas e uma das coisas de que mais gosto de lembrar é da referência afetiva promovida pelas plantas em cada local onde vivemos, ou de onde viemos. Explico.

Imagine quantos imigrantes pelo mundo que, em suas viagens e mudanças de continente, quiseram guardar e manter uma lembrança viva de sua origem, de sua terra, de seu país, Quantos trouxeram com eles um pedacinho dessa vida como, por exemplo, sementes e pequenas mudas das espécies mais comuns na paisagem de sua terra natal.

Outras formas comuns nessa multiculturalidade expressa na vegetação é a própria capacidade comercial de reprodução das espécies. E isso os europeus já sabiam muito bem já que eles cultivavam espécies africanas, asiáticas, indianas e também europeias. Quando optaram por especificar espécies para a arborização urbana brasileira, preferiram as espécies que conheciam lá em detrimento das existentes em nossa diversidade florestal.

As espécies de origem e representatividade africana, facilmente identificadas na arborização e no paisagismo das cidades brasileiras, são muitas e se adaptaram bem por aqui. Mas é importante saber que algumas vezes as espécies transportadas de uma região para outra tornam-se ameaça à biodiversidade natural do local, inclusive algumas vezes promovendo impactos negativos na capacidade natural de reprodução das espécies nativas.

As ilhas, em geral, sofrem muito mais com a chegada de espécies exóticas, como é o caso da Austrália que faz um controle fortíssimo na entrada de materiais biológicos em seu território. Mas, com tanta conexão global, essa situação é muito comum. No Brasil, essa invasão é tão forte que, hoje, temos algumas espécies classificadas como exóticas-invasoras pelos seus impactos danosos à biodiversidade local. É o caso da palmeira australiana seafórtiaArchontophoenix cunninghamii – muito utilizada em paisagismo. Suas sementes atingiram, por intermédio das das aves, algumas áreas de reserva e têm prejudicado a reposição natural da palmeira-juçaraEuterpe edulis -, que é uma espécie de palmeira essencial para o equilíbrio ecológico das florestas. Isso acontece, principalmente, por ela ser uma palmeira exótica, ou seja, sem predadores naturais em nosso país.

Entre as espécies africanas, há algumas – que apresento a seguir – sob atenção e classificação de invasoras. Na minha opinião, situações como essa devem ser controladas com um plano de substituição e manejo para compor as áreas com espécies nativas, pois toda árvore está cumprindo funções importantes para a manutenção da saúde ambiental das cidades, e remover essas árvores adultas sem um plano de reposição e substituição por nativas traria mais prejuízos do que benefícios nas primeiras décadas.

Saiba mais sobre três adoráveis espécies de árvores africanas:

nossas-arvores-africanas-2Flamboyant – Delonix regia, família botânica Leguminoseae – é a árvore flamejante. Quando floresce é extremamente marcante em qualquer caminho. Já encontrei flamboyants em muitas regiões diferentes do Brasil, até mesmo em cidades que pertencem ao bioma da Caatinga. A região de ocorrência natural da espécie é a ilha de Madagascar. E aqui vai uma curiosidade: poucos sabem que, além da variedade com flor vermelha, também existe outra com flores amarelas como a da foto. As duas são lindas e incríveis e, por isso, podemos passar um bom tempo contemplando sua beleza, suas formas e existências. O Flamboyant é uma árvore espetacular, desde suas raízes largas – que dão o sustento necessário ao seu tamanho – à copa gigantesca. Quando vemos um Flamboyant nas ruas de cidade, logo notamos: sua copa costuma cobrir a passagem inteira da rua, mesmo quando está sem flores! Ela tem folhas e folíolos bem pequeninos, muito delicados, que parecem flutuar. Quando observo aves descansando sobre sua copa, eles parecem suspensos em uma nuvem verde. E, finalmente, falo de sua vagem que, quando aberta, pode até virar um brinquedo do tipo reco-reco. Encontrar ou ter um Flamboyant como companheiro é um privilégio. Escrevi sobre essa espécie, em 2007, no site do Instituto Árvores Vivas, que dirijo.

Espatódea – Spathodea campanulata – também conhecida por bisnagueira ou tulipeira-africana é uma árvore oriunda da África Central. É da mesma família botânica dos ipês – Bignoniaceae – e pode ter flores alaranjadas ou amarelas. É comum encontrar as duas espécies plantadas às margens do Rio Pinheiros em São Paulo, o que, nesta época do ano, é um espetáculo para se ver. Há pesquisas que sinalizam a presença de um princípio ativo nas flores da Espatódea que pode matar as abelhas. O formato dos botões florais é muito bonito e revela uma grande flor com pequenos botões. As crianças costumam brincar muito com as flores de espatódea que fazem reserva de água em seu botão; elas as usam como disparador de jato de água. As grandes pétalas são muito chamativas. Seus frutos são vagens que, quando secas e maduras, também servem de brinquedo, como pequenos barquinhos. As sementes são leves como as sementes dos ipês e voam facilmente com o vento, encontrando novos locais para germinar.

nossas-arvores-africanas-1Tamarindo – nome científico: Tamarindus indica – tem origem nas savanas africanas, apesar de ser muito cultivado na Índia. A árvore proporciona inúmeros usos para a sociedade, seja medicinal seja como provedora de matéria-prima. Mas o que mais me chama atenção em sua existência é a delicadeza. Conheci algumas árvores de Tamarindo, curiosamente todas em terrenos bastante férteis e úmidos. Com suas copas de folhas miúdas, ela cria uma sombra leve no espaço. As flores são super pequenas e delicadas. Se souber onde vive um Tamarindo, recomendo muito que tome tempo a observá-lo. Procure suas flores, sinta a delicadeza da textura das folhas em seus dedos e, se possível, prove um suco de tamarindo lendo um livro em boa companhia junto de seu tronco. É mágico.

Sempre acompanho diferentes mídias que divulgam informações sobre a flora e, por isso, quero compartilhar com você uma fonte de que gosto bastante: são os vídeos Você sabia? de autoria do biólogo Massanori Takai. Com ele, você pode conhecer outras plantas africanas comuns no nosso dia-a-dia, como Copo-de-leiteEspada-de-São-Jorge e Agapanto

No portal Minhas Plantas, você também pode encontrar muitas informações sobre espécies diversas e, aqui, já deixo uma dica bacana de lá: uma outra amiga comum de todos nós, também de origem africana, a Maria-sem-vergonha.

E, para finalizar, quero falar de uma das árvores (africanas) mais simbólicas do mundo, o Baobá. De dimensões espetaculares, é uma das espécies que mais tem histórias, mitos e lendas em torno de sua existência. Falei muito dela em 2011, durante uma exposição itinerante realizada pelo Instituto Árvores Vivas. No site, contei como foi a experiência de abrir os frutos desta árvore que, nessa ocasião, compôs o acervo de elementos das árvores da tal exposição.

Apreciar a natureza e a diversidade de plantas em um mundo globalizado é um exercício multidisciplinar. Começamos por saber mais sobre como germinar suas sementes e descobrimos conexões com momentos marcantes da história, ou dados de representantes especiais de outros locais do mundo. Com as plantas é assim e podemos aprender sempre algo novo todos os dias.

Foto: Flor de flamboyant-vermelho, flor de flamboyant-amarelo e fruto de tamarindo / Juliana Gatti

11 dicas para um Natal mais criativo e natural!

dicas-natal-criativo-natural

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 21 de dezembro de 2015


Árvores de Natal
tornaram-se um símbolo importante nas celebrações e festas de todo o mundo, principalmente após o século XVI. Mas a prática de enfeitar árvores já era comum em rituais pagãos que tinham como intenção celebrar a fertilidade da natureza. Assim, romanos, egípcios e celtas adornavam árvores com maçãs douradas, levavam a presença do ramo sempre verde para dentro de casa e honravam os deuses da agricultura.

Com o tempo, a decoração das árvores foi ficando mais elaborada: os frutos ganharam a companhia de velas para simbolizar a luz de Cristo, rosas foram incluídas para homenagear a Virgem Maria e estrelas para simbolizar a Estrela de Belém.

Fico empolgada e feliz em ver as árvores serem símbolos tão relevantes em algumas celebrações durante o ano. E como estes rituais são atualizados, de alguma maneira, para acompanhar as novas formas de relacionamento da sociedade com a tradição, listei 11 dicas para inspirar a celebração deste Natal em relação às árvores.

1. Escolha árvores vivas, com raízes, que possam ser replantadas

Os pinheiros podem ser plantados em vasos, para a ocasião, mas ainda há pinheiros que são cortados  desde o torrão, o que inviabiliza a possibilidade de replantar a árvore após as festas. Então, sempre que optar por árvores vivas para celebrar o Natal, procure escolher aquelas que permitirão o replantio, dando sequência ao crescimento e à vida da árvore. Essa é uma maneira honrosa de aplicar os valores das festas de final de ano (aprenda como fazer o replantio neste post do blog Mãos à Horta, também do Conexão Planeta).

2. Adote aquela árvore que mora em seu jardim, calçada ou na praça em frente à sua casa

Árvores que habitam locais que frequentamos diariamente são especiais para a nossa vida e podemos homenageá-las nesta época do ano. É comum as pessoas colocarem  luzes nessas árvores para sua decoração, mas eu prefiro uma perspectiva mais carinhosa, com tratamento pessoal.

Sempre me lembro de uma praça, na cidade de São Paulo, repleta de árvores frutíferas, que é cuidada por um imigrante japonês, o sr. Paulo Katsuo Abe. É a Praça Caetano Fraccaroli, na Avenida Sumaré, no bairro de Perdizes. Nesta época do ano, ele delicadamente coloca lindos laços nas árvores, deixando-as coloridas e enfeitadas, ao mesmo tempo que presta homenagem a cada uma, que cuida durante o ano. Esta é uma ideia que possibilita infinitas maneiras de decorar e celebrar as árvores que cuidam de nós e das quais também cuidamos ao longo do ano. Mas cuide somente para não perfurar a árvore ao colocar a decoração escolhida e também ao remover e descartar os materiais após as celebrações.

3. Escolha uma árvore nativa da região onde a festa será celebrada

Como a prática de enfeitar árvores de Natal, como conhecemos, surgiu no Hemisfério Norte, as árvores mais comuns e sempre verdes por lá (época do inverno), são os pinheiros. Se a ideia é manter essa tradição, aqui no Brasil podemos optar pelos pinheiros nativos como a Araucaria angustifolia e o Podocarpus, ambos gêneros brasileiríssimos, mas em risco de extinção.

Mas ainda há outros tipos de árvores nativas marcantes que podem ser lindas opções no Natal, como as frutíferas da família das Myrtaceae, as diversas espécies de palmeiras brasileiras ou ainda árvores de copa bastante expressiva como a aroeira-salsa (Schinus molle). É um processo muito precioso e lento reconhecer a identidade ambiental brasileira expressa em sua grande diversidade de flora. Então, por que não reverenciar essa riqueza durante as festas de Natal e de Ano Novo?

4. Crie uma árvore exclusiva com materiais recicláveis e reaproveitados

Cada vez mais pessoas tomam consciência de separar e destinar corretamente qualquer material. E, especialmente no Natal, vale aderir à uma ideia bem criativa e divertida: criar um projeto de árvore com materiais reaproveitados. Um pouco antes da data, você pode já ir coletando e separando estes materiais para a construção da árvore e sua decoração. E mais: este pode ser um projeto feito coletivamente, com todos da família, com os moradores do seu prédio ou os colaboradores da empresa onde você trabalha. A árvore ganhará um novo valor e um forte significado, além de todos se sentirem participantes de sua construção e existência. Com uma agenda organizada de encontros, a montagem da árvore será um momento de muita partilha, alegria, criatividade e aprendizados.

5. Decore a árvore com enfeites criados por você e sua família, e que contem histórias

Me lembro que, quando criança, todos os anos criava e produzia os enfeites da árvore de Natal com minha família. Geralmente, reaproveitávamos materiais e procurávamos criar uma sequência ou história. Era um momento muito feliz do ano e as salas e a cozinha viravam uma verdadeira linha de produção. Cada ano definíamos uma estética principal. Certa vez, utilizamos CDs de propagandas; em outra ocasião, os miolos dos rolos de papel higiênico. Criávamos as carinhas do Papai Noel com algodão, desenhos brilhantes com cola e gliter sobre os CDs; também fazíamos recortes no formato de diversos animais, anjinhos de tecido e muito mais.

Encerrar e recomeçar um novo ciclo, reunindo pessoas queridas e importantes da nossa vida para confraternizar e construir memórias juntos: são essas lembranças que ficarão para todo o sempre em nossos corações.

6. Crie uma árvore e os enfeites com elementos naturais

Uma outra forma incrível de fazer árvores e enfeites para o Natal é utilizar elementos naturais, pinhas e galhos secos. Eles são ótimos recursos criativos. Folhas e flores secas também dão um toque especial. Você pode agrupar e arranjar tudo com lindas fitas ou, até mesmo, palha, barbante e cordas de fibras diferentes. Enfeites feitos à mão e com elementos naturais são super valorizados. Utilizamos o que está disponível, sem necessidade de arrancar ou cortar pedaços de árvores e plantas para produzir algo bonito.

Então, é só ficar atento aos caminhos por onde passa; com certeza, encontrará uma infinidade de materiais que a natureza oferece, levando sempre em conta – claro! – que é ideal escolher e coletar com moderação e responsabilidade. Na natureza, tudo está conectado e muitos bichinhos e insetos precisam de recursos como folhas e frutos secos para suas moradias e ciclos reprodutivos.

Você também pode aproveitar itens que normalmente são utilizados na cozinha como fibra de coco-verde, canela, ramos de alecrim e outros temperos. E, se precisar despertar a criatividade, pesquise em painéis do Pinterest ou sites de decoração: a equipe do Instituto Árvores Vivas fez uma seleção de pins que você pode consultar.

7. Cultive sua árvore de Natal desde a semente

Imagine só a presença, a alegria, o amor e a força que tem uma árvore que cresce junto com você ao longo da sua vida! Germinar, crescer, ganhar os primeiros anos de vida, fortalecer galhos e troncos, começar a florescer e frutificar. E todos os anos cuidadosamente ornamentá-la para a celebração das festas de final de ano e saber que aquela árvore, do seu jardim ou praça, existe por que você se dedicou à sua existência, de alguma maneira.

Mesmo que você não a decore especialmente para a época de festas, só o fato de plantar árvores desde as sementes e admirar sua existência como ser único que é, amplia os bons sentimentos em todos à volta. Por que não criar um novo hábito de Natal? Germine sementes todo o ano com a família para que todos tenham mais vida, flores e frutos por perto Veja o post sobre germinação, no qual compartilhei detalhes desse processo.

8. Faça uma instalação criativa com plantas diversas

Em vez de ter uma única árvore como símbolo do Natal, você pode criar um lindo arranjo de vasos com plantas que já tem em casa ou comprá-los especialmente para a ocasião. Depois, enfeitarão a casa, normalmente. Neste caso, escolha plantas que se adaptam bem aos ambientes internos, como samambaias, orquídeas, algumas espécies de bromélias e suculentas. A criatividade é infinita.

Os vasos podem ser organizados em uma escada de Natal ou ser suspensos em ganchos, organizados em formato triangular, lembrando o contorno de um pinheiro. Com as suculentas você pode criar um vaso em formato de árvore ou pinheiro para plantá-las ou, ainda, fazer lindas decorações com guirlandas de flores e folhagens.

9. Use fotos e textos como enfeites e homenageie outras árvores

Você já é um grande admirador das árvores ou um exímio plantador? Gosta de desenhar, pintar ou fotografar as árvores que encontra pelo caminho? Escreve lindos textos, poesias e haicais sobre as árvores e a natureza? Então, seu Natal pode ser uma excelente oportunidade para você usar toda essa arte já produzida, revelando seu encantamento e sua admiração pela natureza e pelas árvores!

Mas, se você ainda não tem esses registros feitos, pode começar 2016 fazendo um desenho, uma foto ou uma poesia por mês para montar a sua árvore no final do ano que vem. Que tal?

Agora, vamos ao que você pode fase com sua arte! Crie uma estrutura de galhos, ou então, use barbante que sirva como um grande varal para expor a variedade de materiais elaborados. Você pode pendurá-los com lindos pregadores personalizados de Natal ou da maneira que sua criatividade mandar.

Tenho certeza de que sua árvore de memórias ficará incrível. E, depois de montá-la, você pode fotografar e compartilhar nas redes sociais do Instituto Árvores Vivas, ou indicar os links aqui, nos comentários deste post. E ainda tenho mais uma sugestão: na noite da festa, seus convidados poderão pendurar desejos e lembranças do ano junto com suas memórias, assim a árvore ficará ainda mais enriquecida com tanta energia positiva.

10. Presenteie com sementes, árvores e mais vida

Imagine só um mundo onde, sempre que houver festas e celebrações, todos procurem presentear com mudas e sementes de árvores, temperos e plantas comestíveis variadas! Seria incrível e, em vez de construir mais espaços impermeabilizados ou concretados, teríamos que encontrar novas áreas de plantio, criando condições para todas essas plantas existirem perto de nós, oferecendo todos os benefícios que elas trazem para a vida de todos os seres do planeta.

11. Celebre junto à natureza

A natureza é restauradora e, por isso, é um excelente cenario para as festas do final do ano, compartilhadas com amigos e famíliares. Pode ser perto do mar, nas montanhas, nos campos cerrados… São tantas as paisagens e locais naturais em nosso país e no mundo, um mais lindo e especial que o outro.

Viver experiências na natureza fortalece a imunidade, recarrega as energias, promove sensações de maior plenitude, satisfação e alegria, amplia a capacidade de enxergar soluções e perspectivas novas e diferentes diante dos desafios da vida. Ou seja, a natureza é o melhor remédio para todos nós, em todas as idades.

Lembre-se sempre de cuidar da natureza que você visita, seja cuidadoso com seus resíduos e com o manejo de fogos e fogueiras. Respeite o ambiente que é para os humanos, mas também para todos os seres vivos. Estar na natureza nos dá oportunidade de viver na prática valores como respeito, cuidado, carinho, admiração e encantamento.

Um feliz Natal para todos, renovando esperanças, energias e preenchendo os corações de paz, amor e alegria para o 2016 ser um ano inesquecível e muito especial!

Foto: domínio público/pixabay

Como aprender a identificar árvores, plantas, flores…

arvore-origem-cacau

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 29 de março de 2016

Aprender a identificar árvores e plantas realmente foi um dos pontos mais importantes do início do Instituto Árvores Vivas. Eu já detinha uma ampla vivência junto à natureza, iniciada durante a infância vivida na casa dos meus avós com os quais aprendi diariamente. Mas foi só quando trabalhei no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) que percebi que conhecer nomes científicos e famílias não significa conhecer bem uma planta.

Você pode adquirir muito conhecimento sobre identificação de espécies arbóreas por meio de “chaves botânicas”, ou da identificação de madeiras, ou ainda da análise molecular. Melhor ainda se estes conhecimentos se somarem à prática de campo que, aos poucos, são transformados em sabedoria. Dessa forma, as plantas não serão mais somente o nome ou a função delas ou, ainda, a classificação que damos para elas. Com a experiência e a vivência prática, cada planta – mesmo que seja da mesma espécie -, se torna única e, inevitavelmente, você cria um relacionamento e vínculo com ela.

042-047_Botanica_241

Uma coisa que ficou muito clara pra mim, ao longo do tempo – e também que aprendi com especialistas em identificação, entre eles cientistas e mateiros – é que estudar espécies já conhecidas, identificar novas, reorganizar sua classificação científica, enfim, aprender tudo o que importa sobre as plantas é um processo contínuo e holístico.

Afinal, o conhecimento não é fixo. Além disso, as tecnologias de identificação mudam e são aprimoradas periodicamente. E existem, ainda, diversas maneiras de aprofundar conhecimentos a respeito das plantas, seja através da Botânica, da Ecologia e interações com animais, da história dos povos, dos usos, das receitas, dos princípios ativos, das poesias, das paisagens, das memórias, e por aí vai. Sem falar que a quantidade de espécies de plantas no planeta é enorme. Para se ter ideia dessa dimensão, todos os anos – somente no Brasil -, são identificadas cerca de 250 novas espécies por pesquisadores.

Brasil, o país mais biodiverso do mundo

Segundo dados oficiais internacionais do BGCI (Botanic Gardens Conservation International), estima-se a existência de cerca de 400 mil espécies de plantas no mundo. Recentemente, conforme reportagem publicada na revista Fapesp, com o trabalho de 575 botânicos brasileiros e de outros 14 países, a lista da Flora Brasileira foi atualizada para mais de 46 mil espécies. Publicado no fim de 2015, na revista Rodriguésia, que comemorava 80 anos, esse número coloca o Brasil em destaque no ranking de países com a maior riqueza de plantas no mundo: ele é o maior.

Mas como aprender sobre esse universo infinito e conseguir, de fato, conhecer mais sobre as espécies de árvores e plantas que nos rodeiam?

Há duas formas de desenvolver estes conhecimentos e sabedorias:
– uma é por meio de estudos como autodidata ou frequentando disciplinas e cursos específicos;
– a outra é aprendendo com os mais velhos, sejam eles mateiros, especialistas do seu bairro ou cidade, ou ainda com povos que usam tradicionalmente as plantas no dia-a-dia.

Eu estou sempre atenta a todas essas frentes de pesquisa porque sei que, mesmo estudando sobre as plantas durante a vida inteira, nunca conseguirei saber tudo sobre elas. Mas também acredito que, juntos, todos podemos saber mais.

A “bíblia” das árvores, guias, grupos de discussão e muitos livros

Iniciei minhas práticas de identificação com a famosa coleção de Harri Lorenzi: Árvores Brasileiras e Árvores Exóticas no Brasil. Foi um processo no qual uni leitura com prática e, ouso dizer, que o olhar artístico tem ajudado muito, desde então.

Enxergar as formas e a organização estrutural das plantas é essencial para aprender a identificá-la. A morfologia é um dos princípios da identificação de espécies. É preciso aprender a compreender a organização das folhas, sentir suas texturas, observar cuidadosamente desenhos e formatos para poder avançar.

Neste aspecto, as folhas são os primeiros elementos. Mas, de repente, você percebe que existem muitas folhas parecidas. Aí, você sente que precisa conhecer mais sobre as estruturas das flores, dos frutos, da arquitetura da copa, da casca, do formato da árvore como um todo, seu tamanho e até o local onde a planta está inserida em relação à dinâmica da floresta. Aí, sim, todos esses elementos, juntos, ajudam você a realizar uma identificação de sucesso.

Não, não é simples! Mas para aqueles que vivem nas cidades, existe uma vantagem, se é que posso dizer que isso é positivo. Na verdade, não acho, mas o fato é que a biodiversidade no meio urbano, na arborização urbana, é baixíssima. Além disso – e infelizmente -, a maioria das espécies escolhidas no último século para compor nossas ruas, parques, praças e avenidas, não é brasileira. Sendo assim, fica mais fácil aprender a identificar a maioria das espécies nas cidades. Claro que sempre vamos ter a alegria de encontrar espécies raras, em risco de extinção, ou até com grande relevância histórica.

De um tempo pra cá, ou seja, mais recentemente, os planos de arborização têm privilegiado o plantio de espécies nativas. Mas, ainda assim, valoriza-se as espécies mais fáceis de encontrar, comercialmente, o que empobrece o resultado, que não é nada se comparado com a diversidade de uma floresta, de verdade.

Recentemente, encontrei o Manual do Escoteiro Mirim, publicado na década de 70, com os personagens da Disney: Huguinho, Zezinho e Luizinho. Voltado para as crianças, apresenta muitas fichas de identificação e informação sobre espécies de diversas árvores nativas, além de fichas de animais também. Da mesma forma, existem inúmeros guias de jardinagem e paisagismo, impressos ou online.

A profundidade e o tipo de informação também são bastante diversos, apresentando o formato de guias mais populares ou mais científicos, por exemplo. Por isso, é bom ter várias fontes para se obter informações atualizadas. Há muitos livros para download em PDF como o incrível Flora Brasiliensis, já digitalizado.

Em minha trajetória de aprendizado, sempre consultei vários livros e logo comecei a fazer mapas da localização das árvores. Primeiro, no sitio dos meus avós, onde cresci, depois em parques, ruas e praças perto de casa. Hoje, no Instituto Árvores Vivas realizamos continuamente inventários com foco na visão cultural e histórica das espécies.

Junto com o aprendizado obtido com os livros, aprofundei minhas pesquisas por meio da participação em grupos de discussão, um deles foi o Árvores Brasileiras. Também fiz inúmeros cursos de identificação, jardinagem e paisagismo. Atuei como voluntária em projetos de mapeamento e identificação ligados ao Departamento de Botânica da USP (Universidade de São Paulo) – que tinha a coordenação do Prof. Dr. José Rubens Pirani, um dos maiores botânicos de nosso país.

Ainda leio constantemente obras da bibliografia nacional e internacional sobre o tema. Sempre visito os jardins botânicos das cidades para as quais viajo. Ou seja, não paro de estudar as árvores e as plantas do mundo, do Brasil e dos meus caminhos do dia-a-dia.

Também fico fascinada ao ler livros sobre etnobotânica, nos quais a sabedoria dos povos tradicionais em relação às plantas é organizada. Uma fonte de pesquisa muito relevante, na minha opinião, é a própria Embrapa, que possui bom e extenso material online e também impresso sobre grande diversidade de espécies.

Trocando (sementes e mudas) e aprendendo

Por último, pensando justamente nos encontros entre pessoas para promover a multiplicação oral do conhecimento, a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar, desde 2010, o Instituto Árvores Vivas promove encontros em formato de piquenique para Troca de Sementes e Mudas, pelo menos na entrada de cada estação,  totalmente gratuitos e abertos à participação de todos, indistintamente.

Com esta iniciativa, queremos espalhar não só mudas e sementes, mas conhecimento, para que todos compreendam melhor nossas árvores e a flora nativas e endêmicas (restritas a uma região). Conhecendo mais, todos podem plantar com mais consciência e poder de escolha, com respeito pela diversidade brasileira que é tão rica e valiosa.

Desde a primeira edição dos piqueniques – que idealizei para compor a programação do Festival Cultivar, no início da Primavera -, já foram realizados 24 encontros só na cidade de São Paulo.

Finalizo este post, então, com um convite para quem estiver em São Paulo participar do próximo piquenique de Trocas de Sementes e Mudas, em 17/4, domingo, no Parque da Luz, no bairro do Bom Retiro, na capital paulista. Na verdade, estaremos voltando a esse parque, onde tudo começou, mas com novidades: uma delas é a parceria com o projeto Você Muda!

Espero você e desejo que, se ainda não tiver começado suas pesquisas sobre as árvores, que este encontro seja o motivo para você introduzi-las em sua rotina diária. E que, assim, a natureza passe a fazer mais parte de sua vida e de todos à sua volta.

Foto: fragmento de prancha botânica da Flora Brasiliensis  e infográfico novas espécies do Brasil da revista Fapesp

Saúde, cidades e natureza

saude-pessoas-cidades-natureza

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 23 de março de 2016

Mais de 54% da população mundial vive em áreas urbanas, de acordo com dados de 2014 divulgados pela ONU. Estes ambientes onde se formaram as cidades foram ocupados, no principio, devido a boa qualidade ambiental, condições mais favoráveis para a vida humana. No entanto, a superpopulação, somada ao adensamento e à ocupação desordenada levaram as cidades a situações extremas de desequilíbrio e baixa qualidade de vida.

Entre os diversos aspectos que promovem este cenário nos grandes centros urbanos é a ausência de áreas verdes e naturais.

É verdade que, com o tempo, as pessoas se identificam cada vez mais com seus aparelhos eletroeletrônicos – celular, televisão, automóvel e caixas de concreto -, e nem percebem que estes não são os melhores companheiros para uma vida saudável. Mas é a natureza, em sua plenitude, com áreas de mata ciliar à margem dos rios e próxima de nascentes, com espaço para a vida de quaisquer seres vivos, sejam eles mamíferos, aves, répteis, anfíbios ou insetos, que realmente importa.

Já reparou como a natureza é a expressão mais diversa possível no universo? Observe os pontos de vegetação mais densa e fechada como a Mata Atlântica ou áreas com espécies mais retorcidas e espaçadas, adequadas a ambientes mais secos como o Cerrado. Toda essa diversidade tem um momento e uma condição para existir, além de milhares de anos de estruturação e organização. Para chegar até esse estado, aconteceram infinitas interações e relações entre todos os seres da flora e fauna que compõem essa paisagem. Mas nós humanos nem sabemos disso ou, se sabemos, esquecemos rapidamente.

Áreas verdes são tão imprescindíveis em nossas vidas – o que é facilmente apontado por todos os estudos de qualidade de vida realizados nas grandes cidades -, que a Sociedade Brasileira de Arquitetura e Urbanismo propõe que, para cada habitante de qualquer cidade, seja mantida uma área verde pública de 15 m², destinada à recreação. Em São Paulo, a média é bastante significativa – pouco mais de 12 m²/habitante -, mas isso se deve às grandes massas do Cinturão Verde da Cantareira e Serra do Mar. Sem elas, a média da cidade cai para cerca de 3 m² por habitante. Esta realidade demonstra que a distribuição de áreas verdes na capital paulista é muito irregular e ruim.

Para se obter e manter qualidade de vida nas grandes cidades, precisamos providenciar mais áreas, mesmo que menores, distribuídas de maneira regular. Cada pequeno espaço criado com diversidade de espécies de plantas, seja em nossas casas, seja nas escolas, nas praças e nas ruas do bairro onde moramos. Seja plantando uma árvore na praça, na calçada, no quintal ou na área livre do pátio da escola, ou até um jardim vertical, não importa! O importante é ter mais espaços de vegetação – em nossos caminhos ou áreas de convivência – para manter condições que propiciem mais qualidade de vida e saúde para todos.

O ideal, para um bom e rápido resultado, é constituir conjuntos com diversos tipos e espécies de plantas nativas do bioma onde moramos, com muitos tamanhos – árvores, arbustos e forrações -, atrativas por flores e frutas diferentes, que propiciarão condições de vida para muitos animais que também são importantes para a manutenção de nossa saúde nas áreas urbanas.

Mas como isso pode ser feito?

Primeiro devemos falar da importância da árvore para a nossa vida. Ela cria condições microclimáticas favoráveis e garante temperatura amena, umidade adequada, menor poluição do ar já que retém partículas químicas e gases poluentes. Além disso, oferece sombra, reduz a poluição sonora, faze bem para o espírito, o humor e a mente quando apreciamos sua beleza, suas flores e frutos, fornece alimentos ricos em nutrientes e muitos componentes com os quais são produzidos medicamentos, garante a qualidade do solo, evita a erosão com suas raízes, e por aí vai. A lista de serviços ambientais oferecidos pelas árvores é enorme. Por isso, costumo perguntar para quem participa dos cursos e oficinas que realizo (eu e minha equipe) com o Instituto Árvores Vivas: Quem precisa mais do outro? A árvore precisa de nós humanos ou nós é que precisamos delas?

Nas cidades também é óbvio o aspecto financeiro, nem sempre levado em conta: áreas arborizadas são mais valorizadas do que os bairros áridos, sem árvores, totalmente impermeabilizados. Árvores e canteiros permeáveis no solo, permitem a fluidez da água na época das chuvas: elas entram no solo e abastecem os lençóis freáticos que também são muito importantes como fontes de água doce. E, focando ainda na água, árvores mantêm os rios saudáveis, limpos e com nascentes sempre vivas.

A crise da água que vivemos – Sim, ela ainda é real! Pode parecer que não por causa das chuvas abundantes que têm caído sobre algumas regiões, mas essa crise não passará tão cedo veja o infográfio Água na Mídia do IDS para ter mais clareza – tem ligação direta com a má gestão, mas também o desmatamento já que as árvores ajudam a preservar as margens de rios e represas. Poucas chuvas ou chuvas irregulares e em condições extremas – muito excessivas no verão e raras no inverno, o que resulta num clima muito seco -, desequilibram a disponibilidade de água potável nas cidades.

O ambiente natural, além de sua importância para a saúde das cidades, é essencial para a saúde das pessoas, mas este é um tipo de saúde que não fica muito em evidência: a que é constituída desde a infância. Para todas as crianças, o contato com a natureza é essencial já que permite melhor desenvolvimento. A criança que pode experimentar a natureza com todos os seus sentidos – subir em árvores ou simplesmente ficar sentado na terra sob sua sombra, observar com atenção e paciência como a natureza se comporta, pode tocá-la, cheirá-la, se movimentar livremente nesse espaço – a oportunidade desse contato permite se desenvolver de maneira muito mais plena e saudável. Estudos recentes apontam que a falta de contato com a natureza é um dos principais fatores da depressão na vida adulta. Quem tem contato com a natureza eleva sua imunidade, melhora a saúde mental e emocional, torna-se mais equilibrado, desenvolve capacidades de aprendizado e processos investigativos e cognitivos de maneira muito mais satisfatória. A coordenação motora e a memória são beneficiadas e a alegria de ter vivido experiências tão bonitas na natureza acompanham qualquer indivíduo para sempre.

Neste momento, enfrentamos diversos desafios causados pelo descaso com que temos tratado a natureza do nosso planeta, do nosso país, das cidades e bairros. Enfrentamos a luta contra as mudanças climáticas e, consequentemente, vivemos o desafio do controle dos mosquitos Aedes aegypti, que transmitem tantas doenças e que afligem cada vez mais as pessoas, em nível local, mas também mundial.

Sabemos que o que propicia a multiplicação descontrolada dos mosquitos é a falta de saneamento básico, mas principalmente a falta dos predadores destes mosquitos no ambiente urbano. E quem são esses predadores? Por que não estão nas cidades? Muito simples: não existe condição ambiental para isso, não há áreas verdes estruturadas e funcionais para a vida dos predadores de mosquitos: aves, anfíbios, insetos como as libélulas (que se alimentam das larvas), morcegos frugívoros e insetívoros (que se alimentam de frutas, néctar de flores e insetos). Todos esses animais controlam as populações de mosquitos, mas nós os expulsamos de nossas cidades ao reduzir as áreas verdes. Seja por falta de conhecimento ou por acreditar que a natureza não é necessária para a vida humana e nem deve estar tão próxima de nossas casas, em nossos bairros. Dessa forma, criamos as condições perfeitas para que esse mosquito se reproduza livremente, sem nenhum tipo de controle, principalmente durante os períodos de calor.

Não é totalmente eficiente o combate ao mosquito com inseticidas, fumaça e controle rígido de recipientes com água. Sabemos que a temperatura mais elevada e o acúmulo de água são ambientes naturais para a vida e a proliferação destes insetos. Com base nessas informações – que, a cada dia, são mais disseminadas – é importante que todos, juntos, possam criar condições para que a natureza volte às cidades, seja onde for: e insisto – na rua de casa, na escola, no bairro, na praça – enriquecendo o verde com diversidade de espécies nativas, para criar um ambiente favorável para todos os animais. Assim a natureza mais equilibrada promoverá ambientes ainda saudáveis para toda a população.

É importante entender que cada planta e que cada animal têm uma função essencial nos ciclos e no equilíbrio da natureza. E querem ver só como uma informação errada pode prejudicar ainda mais o entendimento sobre o ecossistema e criar equívocos? Vi bromélias serem execradas como se fossem pontos de multiplicação do mosquito. Mas isso não é verdade! As bromélias são vivas, como a natureza é viva e dinâmica. A água que fica depositada na bromélia não está parada, ela é cíclica, é de onde a planta tira seu alimento. Os insetos dali viram nutrientes para a bromélia. É preciso saber como funciona a natureza, verdadeiramente, como são seus ciclos, como se dão as interações e como podemos reestabelecer estes processos, mantendo suas funções equilibradas nas cidades.

Nós, humanos, só temos a ganhar com a natureza saudável. Então, vamos colocar ‘mãos na massa’, plantar e criar condições melhores de vida nossos queridos sapos, libélulas, abelhas, aves, morcegos e, assim, criar um meio ambiente propício para todos.

Foto: Pixabay

Ipês de tantas flores, cores… e seus parentes

ipe-cores-parentes

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 12 de outubro de 2016

Sempre que falo sobre espécies diferentes de árvores nativas brasileiras, ou até mesmo quando dou palestras sobre a importância da flora para nossas vidas, uma árvore em especial chama a atenção de todos: o ipê! Adoro compartilhar com todos a existência do ipê-verde, por exemplo. Você já sabia que ele existe? Vez ou outra, noto uma certa confusão entre as diversas espécies dessa planta e suas cores, como a presença mística do ipê-azul. Dedicarei este texto, então, ao ipê, para que todos possam conhecer um pouco mais sobre suas particularidades e aprofundem seu amor por esta árvore tão linda.

O mundo dos ipês é um mundo muito grande e – claro! – encantador. Começando por sua família botânica – Bignoniaceae –, que abraça 110 gêneros e cerca de 840 espécies de árvores, arbustos e lianas (cipós).

O Brasil em particular é considerado o maior centro de diversidade dessa família botânica, pois em todo território nacional, de norte ao sul do país, são encontrados 33 gêneros e 412 espécies. Destas, um total de 199 espécies são endêmicas, ou seja, ocorrem somente aqui e em nenhum outro local do mundo, estabelecendo, assim, uma relação altamente complexa de interação com todos os seres e sistemas do seu ambiente de ocorrência natural.

As lindas flores desta família – facilmente identificadas devido a seu formato de pequenas trombetas – são muito atrativas para grande parte da fauna, como por exemplo: vespas, abelhas, aves, morcegos, borboletas e mariposas. Algumas flores têm, até mesmo, finalidades alimentícias, como o ipê-amarelo, que pode ser saboreado em saladas.

Eis, aqui, duas árvores da família Bignoniaceae que costumamos encontrar com facilidade e não são brasileiras: espatódea e ipê-de-jardim.

Espatódea, tulipeira, árvore-de-bisnagas, tulipeira africana

flor-spathodeafruto-spathodeaNome científico: Spathodea campanulata

Origem: África

Particularidade: bastante comum na arborização urbana das cidades brasileiras, a espatódea também faz parte das lembranças de brincadeiras de infância – com seus botões florais e sépalas (área que sustenta as pétalas) as crianças jogam jatinhos de água nos amigos. Suas flores podem ser laranja ou amarelas.

Ipê-de-Jardim, amarelinho, bignônia-amarela, carobinha, guarã-guarã, ipê-mirim, sinos-amarelos

tecoma_stans_2

Nome científico: Tecoma stans

Origem: Estados Unidos e México

Particularidade: seu porte pequeno, quase arbustiva e por não perder suas folhas ao florescer, tornou-se uma das árvores exóticas confundida com nossos ipês nativos mais comuns dos jardins residenciais e na arborização das cidades, principalmente como opção em calçadas onde passa fiação elétrica na parte superior. Muitas pessoas acreditam que é uma espécie brasileira, mas certamente não é o caso. Suas sementes são produzidas em quantidade grandiosa e o poder germinativo é alto, isso porque ela não encontra predadores de suas sementes em nossos biomas brasileiros. Sua presença tem sido monitorada para avaliar se está impactando negativamente a distribuição de espécies nativas – sendo considerada invasora.

Nossos ipês

ipes-flores-coresEm meio às espécies de ipê mais comuns aqui no Brasil – conhecendo um pouco mais do tamanho desse universo – é mais fácil perceber as diversas tonalidades de cor de suas flores; as diferenças nas estruturas das folhas compostas por três, quatro, cinco, seis ou sete folíolos; os detalhes de textura da casca; e a forma das vagens e das sementes. Cada um desses detalhes em conjunto pode nos apresentar espécies de ipê, ainda que similares, bastante particulares. Eles são muito mais do que os nomes que lhes foram dados obviamente pelo colorido de suas flores, como ipê-branco, ipê-rosa, ipê-amarelo, etc. Dentro de cada uma dessas categorizações simplistas, existe uma grande diversidade de espécies, de tamanhos e de áreas de ocorrência, muitas vezes diferenciadas.

flores-ipeamarelofolha-ipeamareloAgora faço uma provocação para você, leitor: procure apreciar os ipês também nos momentos em que eles não estão floridos.

Vamos praticar mais desse vínculo apreciativo e de cuidado com nossas árvores, mesmo quando elas estão em momentos de vida menos exuberantes? Assim, é possível reparar na tonalidade das folhas novas que brotam ou na cor que fica gradualmente alterada quando a árvore se prepara para desprender todas as folhas. E os pequenos brotos de flores ou crescimento das vagens? E as incríveis sementes? Já coletou algumas pelo caminho e imediatamente colocou-as para germinar?

flores-iperosaSuas sementes aladas são dispersadas pelo vento. São pequenas joias brilhantes e translúcidas. No miolo da membrana, o embrião de uma nova árvore. A madeira dos ipês é valorizada e reconhecida mundialmente por suas propriedades de resistência e dureza. Até hoje, toras inteiras são facilmente encontradas em carregamentos de extração madeireira ilegal.

Uma das espécies de ipê de flores rosadas contém, em suas estruturas, o princípio ativo e os medicamentos para tratamento oncológico. Os ipês também são conhecidos por diversos outros nomes populares, como estes:

ipê-amarelo, ipê-ouro,  ipê-da-serra, aipê, ipê-branco, ipê-mamono, ipê-mandioca, ipê-pardo, ipê-vacariano, ipê-tabaco, ipê-do-cerrado, ipê-dourado, ipezeiro, pau-d’arco, taipoca, piúva, piúna, ipê-roxo-de-bola, ipê-una, ipê-roxo-grande, ipê-de-minas, ipê-comum, ipê-reto, ipê-rosa, ipé, ipeúna, ipê-do-brejo, ipê-da-várzea

Ipê-azul existe?

flor-jacarandafruto-jacarandaO mais comum é confundir as tonalidades de roxo e azul. Como alguns ipês têm o nome popular ipê-roxo, muitas pessoas esperam encontrar flores roxas com tonalidade mais azulada durante as floradas. Normalmente, as espécies que chamamos de ipê-roxo na verdade apresentam flores em tom de rosa em uma tonalidade bastante forte, mas, mesmo assim, mais magenta (pink) do que azul.

No entanto, existem os jacarandás, também da família Bignoniaceae as espécies do gênero Jacaranda sp. São cerca de 36 espécies, sendo que 32 são endêmicas do Brasil. Por serem parentes da mesma família, as flores de todas essas espécies são muito similares em formato com as dos tradicionais ipês. E elas, sim, possuem tonalidade arroxeada-azulada. Por isso, quando algumas pessoas dizem que viram um ipê-roxo ou azul, na maioria das vezes estão se referindo aos jacarandás muito presentes em nossos caminhos.

Neste exato momento, na primavera, podemos encontrar inúmeros jacarandás floridos nas ruas arborizadas das cidades brasileiras. Lindos e tão incríveis como os ipês, é importante notar uma diferença entre eles: o formato das vagens, que lembram castanholas. Já as sementes, são bem parecidas, assim como as flores.

cybistax_antisyphilitica

E onde mora o ipê-verde?

Uma típica árvore do cerrado brasileiro – Cybistax antisyphilitica. Suas flores são realmente verdes, essa característica deve denotar que seus polinizadores a encontram mais devido seus atributos aromáticos do que visuais.

Possivelmente é bastante visitada por fauna de hábito de vida noturno. Quem já viu, marca o lugar para sempre voltar a encontrar. Quem ainda não viu, tenho certeza que vai querer plantar.

Para encerrar este post com muito carinho e emoção em conhecer mais sobre nossas árvores, vejam algumas fotos que fiz de alguns ipês-verdes-do-cerrado que vivem perto do escritório do Instituto Árvores Vivas na região central da cidade de São Paulo.

Fotos: Juliana Gatti (abertura – 2/4/5/6/7/8) e Wikimedia

Um canal online para denunciar maus tratos contra árvores e áreas verdes

denunciar-maus-tratos-contra-arvores

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 6 de setembro de 2016

Desde que idealizei o Instituto Árvores Vivas, em 2006, um dos primeiros movimentos de que senti necessidade de implementar foi o de criar um canal de comunicação com as pessoas. E, assim, nasceu o primeiro blog com o nome da iniciativa. Nele, por meio de publicações simples e linguagem acessível, sempre compartilhei meus encontros com as árvores, percepções sobre suas características de forma, cor, presença e relação de cada uma com o espaço no qual está inserida, seja urbano, seja florestal, seja rural.

Ter canais de comunicação ativos permite trocas valiosas entre seguidores e participantes. E, desde o início, sempre me coloquei à disposição dos leitores para esclarecer dúvidas sobre como cuidar de árvores e plantas, sugerir espécies adequadas para cada situação de plantio… Ao mesmo tempo – infelizmente – sempre recebi muitas denúncias de cortes, podas, remoções, depredações indiscriminadas em todo o Brasil.

Minha iniciativa pessoal hoje é uma Organização de Sociedade Civil e, neste estágio da história do Instituto, inserimos – nos processos cotidianos de atendimento – o retorno dos resultados do trabalho que temos feito com tanta atenção, precisão de informação, consideração e gratuitamente à sociedade. Por isso, estruturei um projeto especial de acolhimento de denúncias que explico a seguir.

No ano passado, foram mais de 500 atendimentos gratuitos diretos às pessoas que procuram o Instituto Árvores Vivas por meio de mensagens em redes sociais, emails e telefonemas. As denúncias sobre maus tratos incluem desde dúvidas sobre como realizar adequadamente o processo de denúncia em cada cidade, até o simples compartilhar de suas angústias, revoltas e indignação com processos legais e ilegais de corte e poda das árvores e o desprezo com as áreas verdes. O volume de contatos tem aumentado e esse dado é bastante valioso, pois demonstra que a população está mais atenta à vida das árvores e ao valor da natureza para a vida de todos. Por outro lado, torna-se evidente a dificuldade do cidadão em sentir que sua voz, sua atenção e seu cuidado tem acolhimento dentro dos órgãos responsáveis.

A maioria das pessoas que nos procura não sabe como proceder nos casos de denúncia, a quem procurar, como agir. Inicialmente, oriento para que procurem se informar sobre a legislação municipal a respeito de arborização de suas cidades. Também digo para realizar contatos pessoais com o Conselho Municipal de Meio Ambiente, procurar averiguar se as remoções e podas possuem as devidas autorizações para serem executadas; conhecer este processo, exigir apresentação de documentos. Encontrar caminhos com os vereadores para oportunidades de diálogo nas Câmaras Municipais a respeito da legislação ambiental da cidade, e aprimorar a mesma. Além disso, realizar denúncias nas secretarias nas instâncias municipal e estadual quando for o caso, órgãos estaduais e federais responsáveis pelas áreas onde os fatos estão ocorrendo. E, finalmente, organizar movimentos e grupos de pessoas que compartilham da mesma intenção e visão de proteção e cuidado com a natureza.

Então, para conseguir organizar, de maneira eficiente, essa energia e vontade de ver nossas árvores e área verdes cuidadas, respeitadas e preservadas criamos um canal exclusivo para denúncias online, em nosso site. Desta forma, agora, quem observar, presenciar ou souber de casos contra a natureza pode detalhar a situação no formulário criado especialmente para esses casos.

Assim, esta que já é uma atividade corriqueira na trajetória do Instituto Árvores Vivas, de maneira espontânea, agora conta também com um canal exclusivo que permite que as denúncias, analisadas em conjunto, ganhem mais força de proposição para medidas de controle e também mais eficiência na comunicação. Quem sabe, os dados de diversas denúncias reunidas, poderá ajudar a transformar e a diminuir a depredação que nossos olhos e corações acompanham diariamente, muitas vezes fazendo com que nos sintamos impotentes.

Acolher denúncias é importante para poder transformar a depredação e os maus tratos em novas sementes, em vida, em mais árvores e áreas verdes. Conto com o apoio de vocês na divulgação desse novo canal em suas redes de contato. Este mês celebraremos o dia da árvore, mas é importante criarmos uma cultura de que o dia da árvore acontece todos os dias!

Foto: Arquivo pessoal

Embaúba, árvore amiga

 

embauba-arvore-amiga

Este post foi publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 1 de março de 2016

Desde pequena as embaúbas chamam minha atenção. Eram aquelas lindas árvores, com folhas grandes e tronco fininho, com galhos ondulados como as ondas do mar. Eu observava com atenção cada uma delas quando ia à praia com meu avô paterno e toda a família, na época das férias, no litoral paulista.

Sentia muito acolhimento ao passar por um caminho estreito de areia com estas árvores ladeando a passagem. Eu poderia passar mais tempo ali do que em qualquer outro lugar da praia. Sabe por que? Porque ali moravam alguns bichos-preguiça que viviam agarradinhos às embaúbas. Nessa época, nasceu meu amor – que é forte até hoje -, pelas embaúbas e suas amigas preguiças.

Árvore tão bela e tão pouco comum no paisagismo urbano. É costumeiro encontrar embaúbas de folha prateada quando fazemos os caminhos da Serra do Mar, em São Paulo. Tenho certeza que você já deve ter visto alguma. Elas parecem pontos de brilho em meio às copas verdes, são as estrelas da mata. Claro que nem todas têm folhas prateadas ou esbranquiçadas. Se você morar na cidade de São Paulo e for atencioso, pode ter visto alguns exemplares que foram recém plantados nas calçadas. Elas podem crescer, também, em terrenos abandonados, ou até mesmo podem ser vistas em projetos de paisagismo que quiseram aproveitar a estética e a arquitetura das curvas de sua copa.

Tem muita gente que confunde embaúba com cheflera (Schefflera arboricola) – árvore de origem australiana muito comum nas cidades brasileiras. Já vi gente confundir embaúba com mamoeiro, também. E há várias características que provocam essa confusão: a casca acizentada, o crescimento do tronco esbelto e longilíneo, as marcas de cicatriz na casca resultantes do desprendimento das folhas e dos galhos jovens e, finalmente, as folhas grandes com pontas ou compostas por várias folhas criando um desenho similar a um guarda-chuva.

Da família botânica Urticaceaeque inclui 13 gêneros, existem 20 espécies do gênero Cecropia ssp., entre as quais 5 são endêmicas do Brasil. Trata-se de um gênero presente em quase todos os biomas do território brasileiro – seja no Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica ou Amazônia, em terrenos áridos ou matas ciliares. Essa distribuição tão heterogênea do gênero é natural, ja que as embaúbas são espécies pioneiras.

embauba-arvore-amiga-avesE ser pioneira é uma responsabilidade enorme. Pioneiras são as árvores que, no processo de formação florestal, possuem características de alta resistência ao sol intenso e ao solo pobre de nutrientes. Geralmente, vivem menos, mas são essenciais para criar as condições adequadas de vida para outras árvores que podem viver mais de 200 anos ou mil anos. As espécies pioneiras têm vida muito próspera e abundante, estão sempre em interação com muitos animais oque promove uma grande capacidade de dispersão de sementes. No caso das embaúbas, isso acontece por meio dos frutos que são ingeridos por muitas espécies de aves e mamíferos – macacos, por exemplo. Seus frutos – ao menos a da espécie C. hololeuca – têm sabor similar ao da banana e suas sementes milimétricas são distribuídas pelo caminho onde aves, macacos e morcegos frequentam.

As preguiças, por exemplo, por terem alimentação quase praticamente folívora (à base de folhas), preferem as tenras folhas jovens das embaúbas e também adoram descansar em seus galhos ondulados. As formigas também gostam delas – principalmente da espécie C. glaziovii, como mostra o vídeo abaixo. Elas mantêm uma vida em simbiose com essas árvores, ou seja, uma troca saudável e equilibrada. A embaúba fornece alimento para as formigas que se alimentam de um composto doce presente nas “axilas” de suas folhas, produzido especialmente para atraí-las. Em troca, as formigas fornecem proteção contra predadores. Por isso, cuidado ao mexer nessa planta porque as formigas são bravas. Mas o bicho-preguiça é capaz de ignorar essa máxima e jantar as formigas, de modo que elas se tornam mais um atrativo para ele.

Cecropia (nome científico de boa parte das espécies de embaúbas, como destaquei acima) vem do grego Cecrops “filho da Terra, meio homem e meio serpente” – rei mítico de Atenas que reinou por 50 anos. Já embaúba, de origem tupi ambaíba, significa “árvore oca” ou “onde vivem as formigas”. Não é à toa que, com a madeira e o galho da embaúba, podem ser produzidos instrumentos.

A embaúba no meu (e no seu) dia a dia

Costumo coletar folhas de embaúba secas porque me parecem verdadeiras esculturas: das pequeninas e jovens até as enormes. Em casa, tenho uma parede inteira decorada com folhas de embaúbas e também uma luminária. Já usei muitas vezes as folhas pequenas como broche no dia-a-dia.

Certa vez, quando pedalava em uma trilha, notei que havia várias folhas de embaúba no chão, ao passar por cima delas. Parei assim que percebi, desci da bicicleta e procurei me manter com a bicicleta no canto da trilha, fazendo o maior esforço para preservar as folhas inteiras. Pra mim, elas são muito preciosas e eu sempre quero preservá-las e cuidar delas, mesmo no caso das folhas secas e soltas no solo, porque, assim, cumprem seu papel de fornecedoras de nutrientes no ciclo natural da floresta.

Encontrar essa árvore no caminho é como encontrar uma amiga, não importa o lugar. Em São Paulo, sempre que vejo ou revejo uma espécie dessa árvore, paro e fico admirando por um tempo, como se matasse a saudade. As embaúbas estão no meu cotidiano, não importa onde eu esteja.

No viveiro do Instituto Árvores Vivas, que criei em 2006 e dá nome a este blog, temos uma muda de embaúba crescendo no cantinho de um vaso já habitado por uma pata-de-elefante. A foto do sanhaço se refestelando nos galhos de uma embaúba – no meio deste texto -, foi feita na cidade de Palmas no Tocantins. Como podem ver, o que torna ainda mais especial essa amizade é que as embaúbas podem ser encontradas em quase todo o território nacional, na América do Sul e na América Central. Elas estão por aí, precisamos apenas deixar que toquem nossos corações.

Fotos: Wikipedia Commons e Juliana Gatti

Como cuidar das árvores de sua cidade: 7 dicas e uma história inspiradora

como-cuidar-arvores-cidades

post originalmente publicado no portal Conexão Planeta em 16 de fevereiro de 2016

Quando criança, ao mesmo tempo em que aprendi a amar e respeitar a natureza e as árvores – sua riqueza, diversidade, fluxos, interações, tempo e conexões –, vivenciei situações muito difíceis de compreender. Algumas dizem respeito à vida das árvores, ao momento em que eram consideradas como perigosas ou inúteis para um grupo de pessoas. Isso acontecia porque elas temiam que a árvore caísse ou que sujasse demais as calçadas ou os quintais com suas folhas, flores e frutos, entre outros motivos. Eu simplesmente não entendia como e porque – nestes casos em que estava claro que a árvore ainda era saudável -, as pessoas podiam optar por matá-las em vez de mantê-las vivas.

Me emociono profundamente com a perda de qualquer árvore, seja onde for: por sua sombra que não está mais lá, a falta das cores belas, da temperatura amena, do ar mais fresco e respirável na região, do chão “pintado” com o lindo derramar de folhas, flores, frutos e sementes, marcando sua presença ao longo dos anos.

Essa conexão não mudou, desde pequena, mesmo vivendo na cidade de São Paulo, onde a poda mal feita e a remoção de árvores acontecem com frequência surpreendente. Toda vez que escuto a serra elétrica próxima à minha casa, sempre no primeiro horário do dia, logo ao amanhecer, meu coração se parte. O mais triste é constatar, depois, que muitas dessas árvores nem doentes estavam para serem mortas ou decepadas.

E, mesmo numa situação de enfermidade ou risco de vida da árvore, melhor, mais respeitoso e saudável seria esgotar as possibilidades de salvamento, recuperação e reestabelecimento de sua saúde. Afinal, ela cresceu, viveu e doou tanto para a vida de tantos seres ao longo da sua própria existência, concorda?

Comentei com muitas pessoas e especialistas da área sobre essa prática mais respeitosa e cuidadosa com as árvores, que é comum mundo afora. Na Europa, na Oceania e na Ásia é muito raro se ver o contrário já que muitos dos países reconhecem que sua maior riqueza é “a própria natureza”.

Por meio das redes sociais, do seu site e de e-mails, o Instituto Árvores Vivas – que fundei em 2006 e dá nome a este blog – recebe denúncias do Brasil inteiro sobre remoções, cortes indiscriminados de raízes e galhos, podas drásticas que mutilam as árvores para proteger os fios elétricos, concretagem que sufoca raízes em calçadas, tentativas de envenenamento, anelamento, derrubada por depredação, árvores que são descascadas ou galhos arrancados à mão sem nenhum motivo palpável.

Para organizar essas denúncias e auxiliar no encaminhamento das mesmas, vamos lançar em breve uma página dedicada no site do instituto. Avisarei aqui no blog. Mas, enquanto isso não acontece, listo abaixo dicas para que você saiba agir ao flagrar uma ação de maus tratos ou considerar que remoções ou podas estão sendo feitas de forma duvidosa. Assim você será um guardião das árvores em sua cidade:

  1. Se você tem receio de agir sozinho, junte-se a grupos de mobilização ambiental na sua cidade. Eles são mais fortes para agir e combater essas práticas e podem criar formas eficazes de alerta quando um dos membros presencia uma ação contra árvores;
  2. Se optar por agir de forma independente, apresente-se com muito respeito e calma e solicite os termos legais que autorizam o procedimento na árvore. Muitas cidades autorizam oficialmente podas e remoções, e esses documentos são públicos. Leia, fotografe e verifique em que condição esse procedimento foi aprovado. Converse e registre tudo que você vê e que pode ser questionável;
  3. Se não há legislação municipal que preserve ou oriente ações de manutenção das árvores em sua cidade, entre em contato com a polícia ambiental estadual;
  4. Como existe legislação federal ambiental, você pode conversar com o órgão legislativo da sua cidade, que representa os interesses da população, e sugerir que sejam realizadas assembleias que tratem do tema na intenção de encaminhar projetos de lei que organizem e garantam os cuidados com as árvores da sua cidade;
  5. Denuncie diretamente para a Secretaria do Meio Ambiente da sua cidade ou, no caso de São Paulo, que é uma cidade gigante, vale falar com a Subprefeitura que é quem atualmente solicita e encaminha os procedimentos, seja qual for o assunto;
  6. Procure saber quais são os meios de contato por telefone e por e-mail mais eficazes e mobilize suas redes para solicitar informações e denunciar;
  7. Crie grupos de bairro, faça parte de associações de bairro e informe sobre o estado das árvores da sua região ou a falta delas. Mais pessoas unidas por um mesmo objetivo são mais fortes em suas solicitações ao poder público.

O dia em que eu e amigos salvamos uma Tipuana da motoserra

E se você ainda acredita que sua ação seria muito pequena e não faria diferença, vou contar uma história inspiradora, uma experiência muito bonita e positiva pela qual passei no último fim de semana.

Faço e sempre fiz parte de alguns grupos de pessoas que querem ajudar a salvar as árvores da cidade de São Paulo e tenho trabalhado de perto com um desses coletivos. Comentei sobre nossa atuação com uma amiga, a jornalista Mônica Nunes que é uma das editoras e cofundadoras do Conexão Planeta. Ela mais do que rapidamente se envolveu com o movimento.

No dia seguinte cedo, ao passar por uma rua movimentada do bairro onde moramos – entre Santa Cecília e Higienópolis -, ela viu grande movimentação e dois caminhões da prefeitura. Me avisou sobre a ação e comentou que, pelo tamanho da área cercada por eles, parecia que a ação seria grande e já havia grandes galhos repletos de folhas pelo chão. Com a mesma velocidade, avisei os participantes do coletivo e logo tivemos um retorno positivo. Sergio Saraiva, um dos membros do grupo, que mora no bairro, foi pessoalmente ao local e pediu para ver o laudo. Apesar de o documento autorizar o corte de uma Tipuana, também indicava que ela estava saudável. Pasme!

Com essa informação em mãos e dialogando com a equipe de trabalho da prefeitura, conseguimos impedir o corte imediato da árvore que estava sentenciada por total irresponsabilidade. Agora, juntos, vamos averiguar como todo esse processo aconteceu e procurar evitar que outras ações desse tipo aconteçam.

Esta é uma história motivadora que pode inspirar você, leitor, a observar mais as árvores perto da sua casa, da sua escola, do seu trabalho, em toda cidade, e trabalhar pela sua conservação. Este não é um dever, é um direito seu. É um direito que pode lhe garantir uma vida mais saudável e mais saúde emocional na companhia dos seres vivos que garantem equilíbrio da natureza.

Se você tem conhecimento sobre árvores, pode estar pensando: “Mas a Tipuana é uma árvore exótica de origem boliviana e argentina! E está entre as árvores mais antigas da cidade e entre as que mais caem durante as tempestades? Pra que tanta mobilização?”.

É verdade! Essa é uma espécie exótica e antiga e está entre as mais frágeis da cidade. Isso porque ela é uma das árvores que mais passou por podas drásticas de copa e de raiz, anos e anos seguidos – o que, por certo, prejudicou muito sua saúde. Mas, para mim, qualquer árvore, seja ela exótica ou não, deve ser cuidada, não só porque é um ser vivo, mas por todo benefício que nos oferece diariamente: microclima favorável, sombra, redução da poluição sonora e do ar… Só para citar o básico.

E, mesmo se houvesse um plano de remoção de exóticas na cidade – que não é o caso, já que, em São Paulo e boa parte das cidades brasileiras, as árvores exóticas predominam -, a questão é que esta Tipuana de Higienópolis está saudável e deve ser mantida viva honrando a sua existência. No caso de substituição, o melhor plano seria plantar uma árvore nativa ao seu lado e permitir o crescimento e conviência delas até que a jovem muda possa oferecer serviços equivalentes. Ao meu ver o melhor mesmo, seria cuidar dela para preservá-la, assim:
– criar um canteiro permeável, suficiente em tamanho para a saúde de suas raízes,
– colocar escoras para estabilizar seus troncos,
– adubar a terra para fortalecer sua imunidade,
– tratar de feridas e cortes em sua casca, entre outros cuidados.

Só dessa forma, podemos demonstrar respeito, amor e gratidão pelas árvores e por nós mesmos.

Abaixo, a Tipuana tipu (em imagem do Google Maps) salva no dia 12/2/2016, no bairro de Higienópolis, pelos guardiões das árvores de São Paulo. Em seguida, detalhes de árvores da mesma espécie.

tipuana-googlemaps

Tipuanas são berços de vida nas cidades: sua casca rugosa acolhe inúmeras espécies de epífitas
como diferentes espécies de samambaias, rhipsális, orquídeas e até bromélias.

Tipuana_tipu00

Tipuana saudável cortada: sua seiva oxida, fica vermelha e lembra sangue. Muito simbólico.

Fotos: Juliana Gatti (abre), Google Maps e Wickmedia Commons

Como uma árvore feliz

arvore-feliz

Publicado originalmente no portal Conexão Planeta em 2 de fevereiro de 2016
Meu conceito de felicidade é a capacidade de realizar plenamente o propósito em vida. Quando olho para as árvores, sinto que elas são plenas, em um nível bem mais confortável e desenvolvido do que qualquer outro ser vivo deste planeta.

Talvez isso aconteça porque estão aqui há muito mais tempo do que nós, parecem ter uma sabedoria das relações, interações, ofertas e presentes que recebem da vida na Terra. Talvez por que elas não gastem energia falando (rsrsrs), ou com coisas além de sua existência e das relações que tangem suas vidas. Elas produzem o próprio alimento, nutrem o solo onde vivem, resguardam água em seu corpo quando vivem em ambiente seco ou desenvolvem estruturas de copa e tronco que dançam com a força das chuvas e dos ventos.

Durante os Passeios Verdes que realizo com o Instituto Árvores Vivas (que idealizei em 2006), conto sobre as árvores a partir das sementes. Essa percepção holística e integral nos ensina muito sobre nossa própria vida.

Quando o fruto já está maduro, as sementes estão férteis, receberam toda proteção e os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. Esse fruto usa da sua melhor estratégia para permitir o tempo ideal de amadurecimento e o melhor lugar de distribuição de sementes férteis, fortes e saudáveis. Para isso, oferece sabor adocicado, cor chamativa, desenho e formato curiosos – especialmente alinhados com o desejo e o interesse do dispersor, que levará essa semente para um outro local onde a nova árvore crescer. Também usa estruturas engenhosas que voam alto e longe com o vento, vagens que se retorcem com força e propulsão incríveis, arremessando para longe as sementes, ainda aquele chumaço de fibra leve e fofa que voa carregando as sementes protegidas.

São muitas as maneiras desenvolvidas pelas árvores para levar para longe suas sementes, dando assim mais chances de sobrevivência e continuidade à espécie. Muitas dessas soluções só acontecem com a ajuda dos animais, outras dispõem de sistemas elaborados pela relação íntima com o lugar onde as espécies vivem por milhares de anos.

Quando a semente chega ao chão, ela pode ter a sorte de encontrar um local adequado para germinar, com terra aerada, com certa umidade, recebendo o calor do sol da manhã ou ainda sol direto e forte. Algumas vezes, pode encontrar um local sombreado, ou até um pequeno e estreito espaço. Quando a semente chega nesse local, se depara com um momento da sua vida bastante intimidador e duvidoso, mas, ao mesmo tempo, um dos mais preciosos e importantes para sua evolução: ela tem que “decidir” se este será o local onde vai germinar, onde viverá toda a sua vida.

A natureza das árvores e das plantas é fixa. Onde elas germinam – isso ao menos antes do ser humano plantá-las, em sementeiras e viveiros – vivem o resto de suas vidas. E, neste momento, quando ela lança ao solo sua primeira raiz, firma o principal compromisso da sua existência: ser o melhor que pode, todos os segundos e dias, oferecendo sua essência e seu potencial para o planeta e o local que acolhe sua vida. Ou, melhor dizendo: realizando, de maneira plena, a essência que habita essa semente, seja ela uma embaúba, um jequitibá, um pau-brasil ou um araribá.

Diferente de nós, as sementes não reclamam que caíram naquela frestinha em meio ao concreto ou na praça, sem nenhuma outra companheira arbórea, ou no meio da floresta densa. Não questionam porque são de uma espécie do Cerrado ou da Amazônia, da Caatinga ou do Pantanal. Onde quer que estejam, elas irão sempre dar o melhor do seu ser, independente dos desafios, presentes, dificuldades, bênçãos ou percalços que possam sofrer e receber ao longo da vida.

A vida das árvores pode durar muitos e muitos anos, até mais de mil anos dependendo da espécie, ou, um breve momento, quando – ainda em seus primeiros esforços de crescimento – pode servir suas novas folhas, tenras e macias como alimento para um inseto; ou, ainda, correr o risco – quando pequena – de ser pisoteada por um animal maior do que ela. Pode até ser um humano que caminha sem atenção. Às vezes, uma semente pode esperar muito tempo para ganhar a chance de germinar, ficar quieta na sombra das folhas da serapilheira, sob a copa das grandes árvores, esperando o dia em que uma “irmã mais velha” cairá para abrir clareira na floresta e dar chance para novas plantas se desenvolverem.

A dinâmica das florestas e da natureza é realmente sábia. Gerar flores e frutos que portam preciosas sementes é um processo natural que pode, muitas vezes, ser acelerado, forçado em extremos ou, até, pausado, dependendo da condição de vida da árvore. Se ela se sente ameaçada, por exemplo, irá produzir frutos em excesso para garantir a continuidade da espécie. Se ela sente que o momento não é propício para reprodução, pausa o processo, segura a florada, corta o processo de floração no meio, pois, de antemão, percebe que não conseguirá desenvolver bem seus frutos e sementes.
Por isso, todos os dias, ao contemplar a natureza, reforço meus valores de agradecimento, respeito e admiração por todas as árvores. Com elas, aprendo e busco praticar – sempre, ao me deitar -, que dei o “meu melhor” e fiz tudo que poderia para honrar minha parte na rede de relações com todos os seres deste planeta.

Com elas, aprendo que a vida é para buscar a expressão mais plena do meu ser e das minhas relações. Que quanto mais em sintonia com a essência da semente que um dia fomos, a rede de interações e o espaço em que estamos, mais plena será nossa existência, mais serenos e focados no presente seremos.
No dia-a-dia, podemos aprender com as árvores esta emoção de tanta satisfação, de contentamento e alegria, tão bem representada pelo mais doce e saboroso fruto, ou pela mais bela e delicada flor – simples como uma árvore feliz.

Na foto que ilustra este post (de minha autoria), o “rebento” de um cajueiro, em Caraíva, na Bahia, em 2011.

Agenda Mês do Meio Ambiente

Este mês de junho 2016 o Árvores Vivas está com uma agenda muito especial que celebra e procura multiplicar relações de mais respeito, carinho e cuidado com o Meio Ambiente. Confira abaixo nossa agenda de atividades:

Participe das oficinas, palestras, Caminhada Passeio Verde, Troca de Sementes e Mudas de Inverno, Exposição do Acervo de Elementos das Árvores, plantio de Flora atrativa para Fauna e mutirão de recomposição da biodiversidade de uma praça na cidade.

Damos destaque para o evento de lançamento da edição em português do livro A Última Criança na Natureza (Last Child in the Woods) do jornalista Richard Louv. A edição organizada pelo Instituto Alana, terá evento de lançamento em São Paulo e no Rio de Janeiro dia 13 e 15 de junho com a presença do autor americano que é também um dos fundadores da organização Children and Nature Network. O Instituto Árvores Vivas trabalha a 10 nos com ações de conexão da criança com a natureza principalmente no meio urbano, tem um programa integralmente dedicado ao tema dentro do instituto e é parceiro do Instituto Alana no evento. Fomos convidados pela equipe do projeto a criar o conteúdo das árvores do Parque do Ibirapuera e também do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em São Paulo, dia 13, estaremos ao longo do dia da conferência –  já com lugares esgotados – apresentando nosso acervo itinerante de elementos naturais e também conduzindo os participantes em vivências de caminhada Passeio Verde para apreciarem e se encantarem com a diversidade natural que podemos encontrar nas cidades.

Festival Cultivar - Hosto Florestal

Juliana Gatti, idealizadora do Instituto Árvores Vivas esteve no mês de maio na conferência internacional da organização que Richard Louv é fundador emérito, e apresentou um pouco do trabalho que a organização vem realizando a 10 anos no Brasil. Em breve no blog vocês poderão conferir detalhes dessa viagem, Juliana vai compartilhar muitas novidades e referências com a comunidade que acompanha o Árvores Vivas.

Enquanto isso convidamos todos para participar de nossas atividades e programação do mês mundial do Meio Ambiente. Agradecemos nossos apoiadores e parceiros por viabilizar e oferecer as atividades para a sociedade gratuitamente, são eles: SESC SP, VC Muda, Instituto Alana – Projeto Criança e Natureza.

Você também pode apoiar nossa causa com suas compras online, sem colocar a mão no bolso, é só instalar o aplicativo O Pólen no seu navegador Chrome e sempre que fizer suas compras online o Instituto Árvores Vivas receberá seu raio polinizador, permitindo que mais de nossa missão seja levada para crianças e pessoas através de nossos projetos e programas. Clique aqui para instalar e ajudar!

Faça parte da Rede Criança e Natureza – Brasil no Facebook

Curta a página do Programa Criança e Natureza do Instituto Árvores Vivas

 

O verdadeiro valor das árvores

verdadeiro-valor-arvores

por Juliana Gatti post originalmente publicado no portal Conexão Planeta em 19 de janeiro de 2016

Enxergo as árvores como seres espetaculares e essenciais pela grande rede de conexões que mantêm com a vida, seja de maneira ecológica ou ecossistêmica, seja em termos de valores culturais, históricos, simbólicos e tradicionais. Além desses valores e da importância essencial que, muitas vezes, é pouco percebida ou pouco consciente para as pessoas, há o valor mais direto e mensurável ligado aos recursos oferecidos por elas e que são modificados e transformados pelo ser humano para atender suas necessidades. Falo, aqui, de elementos como o papel, as frutas, a madeira, a casca, as fibras, as resinas, os óleos, os pigmentos e de diversas substâncias químicas, entre outros.

O valor das árvores nunca deveria ser reduzido ao fornecimento de produtos, recursos ou matéria-prima. Uma árvore frutífera não é só provedora de frutos, assim como uma árvore que fornece látex também não pode ser vista somente como fornecedora de borracha. Mas, infelizmente, essa é a principal função que a maioria das pessoas percebe nestes seres vivos e nas paisagens à sua volta. Quanto e o que pode ser extraído das árvores e dos locais onde estão?  Quanto minério dessa terra, quanto leite da vaca, quanta celulose por hectare, quanta energia com o represamento do rio, quantas frutas por ano e, assim, de maneira contínua.

Mas ainda bem que a agroecologia e permacultura têm oferecido maneiras mais equilibradas e cuidadosas de nos relacionarmos com a paisagem e as ofertas da natureza. Assim como a economia e a produção locais respeitam a sazonalidade das frutas nos mercados, por exemplo.

De certa maneira, trabalhar com o resgate da conexão do leite da caixinha com a vaca, dos ovos com a galinha e das frutas e do papel com as árvores – para citar exemplos mais diretos -, tem sido uma das formas mais eficazes para desenvolver valores e a percepção de como nossa vida é a natureza. Estabelecer esse vínculo e a consciência da origem é um salto para melhorarmos nosso relacionamento com ela.

Sonho que, um dia, muitas pessoas, principalmente as que vivem em grandes cidades e perderam essa conexão de maneira mais intensa, vivam a sensação plena de ser e estar com a natureza e as árvores, de reconhecer facilmente aquela que oferece a fruta favorita, mesmo quando está sem frutas, ou de agradecer a árvore que forneceu a substância química para o medicamento que salvou sua vida.

Então, fiz uma pequena e saborosa seleção de árvores que oferecem recursos bastante conhecidos para ajudar a estimular o reconhecimento desses seres tão inspiradores:

Cacaueiro (Theobroma cacao)

arvore-origem-cacau

Árvore nativa das florestas úmidas da América do Sul, incluindo o Brasil, com presença tanto na região amazônica como na Mata Atlântica, a exemplo da Bahia. Provavelmente a grande maioria das pessoas já experimentou seu recurso mais popular – as sementes do cacau, conhecidas como chocolate após torradas, moídas e processadas com açúcar, leite e outras coisinhas mais. Esta árvore, que pode viver cerca de 80 anos, aos quatro anos já começa a produzir seus primeiros frutos, carregados de sementes que portam quantidades significativas de cafeína e o alcaloide teobromina. O gênero Theobroma significa “alimento dos deuses” e, segundo registros, era utilizada em celebrações astecas, mas também em pratos do dia-a-dia com seu sabor amargo, porém muito saboroso.

Caminhando pela cidade de São Paulo, pelas ruas e calçadas, já encontrei árvores de cacau. Com frutos, mas também sem eles. Apreciar as flores que brotam como pingentes, ligados aos troncos, é precioso. Suas folhas jovens possuem coloração alaranjada e são muito macias e delicadas. E veja só que interessante: em 2004, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da Malásia publicaram artigo, na revista “Food Chemistry”, avaliando o potencial antioxidante das folhas de cacau e identificando similaridade com as folhas de chá verde. Então, agora, faço uma pergunta para os chocólotras de plantão: quem já encontrou sua árvore favorita pela cidade?

Seringueira (Hevea brasiliensis)

arvore-origem-seringueira

Da seiva espessa chamada látex, extraída desta árvore, são produzidos inúmeros produtos essenciais à vida moderna. A camisinha – ou “preservativo” -, por seu papel relevante na saúde pública mundial, já seria motivo suficiente para que agradecêssemos a existência das seringueiras, dos seringueiros e sua história. Utilizada desde tempos remotos por astecas e maias, a borracha vegetal é um marco social, histórico e econômico na sociedade moderna. Sementes da árvore nativa da região amazônica foram contrabandeadas, no final do século XIX, para gerar cerca de três mil mudas no Jardim Botânico de Kew, na Inglaterra. Estas mudas, germinadas em território inglês, foram levadas para Sri Lanka, Indonésia e Cingapura, expandindo ainda mais a produção mundial desse insumo tão nobre.

Também, aqui em São Paulo, que não é a região de ocorrência natural da espécie, no inverno de 2010, encontrei exemplares de seringueira no canteiro central da Avenida Faria Lima. Eles estavam frutificando na ocasião. No Brasil, atualmente, existem centros produtores de látex na Bahia e no interior do estado de São Paulo.

Buriti (Mauritia flexuosa)

valor-arvore-buritiPara honrar uma família botânica valiosa para a flora brasileira – as palmeiras ou Arecaceae – escolhi um exemplar muito especial. Palmeiras são diferentes de árvores – não produzem madeira -, mas não por isso são plantas menos importantes. Pelo contrário: possuem “1001 utilidades”. Presente nas veredas do Cerrado – pois aprecia viver em solo encharcado -, no Pantanal e no bioma amazônico, a palmeira buriti é uma joia para se apreciar.

Seus frutos são consumidos de todo jeito: ao natural ou desidratados e na produção de sorvetes. As fibras de suas folhas e estipe (caule das palmeiras) servem para produzir móveis, estruturas de casas, coberturas e artesanato. A polpa e o óleo extraídos do fruto possuem grande concentração de vitaminas A, B e C. São usados como vermífugo e cicatrizante e estão presentes na composição de produtos cosméticos, que cada vez mais valorizam a nossa flora.

Quando penso no buriti, gosto de lembrar especialmente dos irmãos que conheci no Jalapão e que fazem uma linda música com a viola produzida com a estrutura central da folha dessa palmeira. Encerro esse post com o vídeo de uma de suas apresentações para que você possa apreciar seu talento com a canção “Tradição do Jalapão, Violinha de Vereda”.

Fotos:  Flora brasiliensis, Juliana Gatti, Wikimedia Commons

%d blogueiros gostam disto: