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Mapa colaborativo de árvores frutíferas dissemina conhecimento e incentiva plantio

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 22 de fevereiro de 2017
Mapear árvores é algo que sempre teve um significado muito maior para mim do que somente identificar as espécies e indicar a localização delas. Meu olhar para as árvores e a natureza inclui a percepção de uma conexão total com a existência de todos os seres. De maneira de que a interdependência e os vínculos entre todos os seres e elementos, em sua enorme complexidade, é o que torna cada elemento tão valioso.

Cada vez mais os estudos científicos ecológicos de relação entre os seres e o ambiente tem demonstrado essa rede altamente complexa. O vídeo que inseri no final deste post exemplifica isso, demonstrando claramente o valor dos lobos na preservação dos parques de Yellowstone. Além do valor ecossistêmico, as relações de uso, troca e significado simbólico cultural, ganham ampla gama de facetas quando colocamos em pauta a relação humana com a natureza.

Por conta dessa percepção holística, desde o princípio da estruturação do Instituto Árvores Vivas, visualizei que essa rede complexa de relações das árvores com a vida deveria ser evidenciada, afirmada, conhecida, divulgada, apreciada, alimentada e compartilhada com consciência e gosto por toda humanidade. Para ilustrar de maneira simplificada essa percepção, elaborei uma mandala (ao lado) da dinâmica de desenvolvimento da cultura ambiental que pode ser melhor visualizada neste link.

Um pequeno passo na promoção dessa visão é a estruturação de mapeamentos colaborativos que contemplam muito mais do que dados quantitativos, mas oferecem espaço para descobrir e valorizar o vínculo afetivo, as relações históricas e as percepções simbólicas da sociedade em relação às árvores que cada pessoa escolhe registrar no mapa.

Mapeamentos de árvores foram realizados em diferentes modelos e com diferentes parceiros do Árvores Vivas nos dez anos de atividades da ONG. Muitos desses mapas podem ser visitados online, em PDF ou num blog.

Quando divulgo esse trabalho que também realizamos para escolas, empresas, hotéis, clubes e até mesmo fazendas particulares, gosto muito de citar os mapas construídos para diversas unidades do SESC no Estado de São Paulo. Alguns deles foram concebidos de maneira bastante centrada na unidade, como o que foi feito para a inauguração do SESC Belenzinho. Outros ampliam a percepção dos ativos ambientais do bairro, como foi o caso dos mapas feitos para o SESC Consolação, onde já citávamos o terreno do Parque Augusta ainda esquecido pela sociedade; e a mesma unidade encomendou o mapa Passeio Verde da Praça Roosevelt, antes da reforma. Neste último trabalhamos com diversas turmas do Colégio Caetano de Campos para ampliar a percepção dos alunos e professores sobre essa riqueza histórica ambiental.

Outro mapeamento de que gosto muito de lembrar foi encomendado pela unidade do SESC Araraquara, mas seu foco foi bem mais amplo, promovendo um trajeto por entre diversas praças da cidade, o histórico ambiental da região até chegar no SESC. Por lá, também realizamos diversas oficinas e caminhadas guiadas com a comunidade local.

O primeiro mapa foi feito em parceria com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo para um evento que aconteceu no Parque da Luz – o primeiro jardim público da cidade. Esse mesmo mapa foi utilizado depois como base das ações da Secretaria de Educação durante as atividades do Recreio nas Férias, no qual formamos mais de 50 monitores de educação ambiental para atender mais de 900 crianças do ensino público municipal promovendo o contato com o verde nos parques.

E. finalmente, temos muito orgulho do projeto feito em parceria com a USP e SAAP na construção do mapa e sinalização das árvores da Praça Província de Saitama no bairro Alto de Pinheiros. Todo conteúdo está online e também pode ser apreciado pessoalmente em visitas autoguiadas.

Mapear para preservar

No início do ano passado, lançamos o Mapeamento Colaborativo de Árvores de Pau-Brasildivulgado primeiro aqui, neste blog, no Conexão Planeta – já contamos com mais de 250 registros de árvores únicas no país e precisamos atingir 300 para realizar a primeira análise e divulgação de resultados.

Agora, o Instituto Árvores Vivas lança o mapeamento colaborativo de árvores frutíferas, para que cada vez mais pessoas compreendam a dinâmica de importância de cada árvore e o conjunto delas na paisagem. O mapa permite gerar conhecimento sobre a distribuição das espécies, principalmente nas cidades; descobrindo onde e quais espécies são; e também onde estão plantadas as espécies nativas de cada bioma brasileiro. Todos esses dados são somados ao propósito primordial de estimular o plantio afetivo e a valorização das árvores frutíferas nativas, que são essenciais para restabelecer ambientes ecologicamente adequados para a fauna dos nossos ecossistemas. E, claro, para todos conhecerem a história de cada árvore e de cada pessoa que plantou e cuida dela.

Esse mapa das árvores frutíferas é uma continuação do nosso programa Guardião das Árvores e, da mesma forma, todos que fizerem registros lá recebem certificado com número de cadastro da espécie.

Convido você a ser um polinizador dessa ideia e dispersor dessa semente de cuidado e carinho com as árvores que estão nos caminhos. Participe desta iniciativa para que tenhamos cada vez mais árvores presentes em nossas vidas! Aproveite para compartilhar em suas redes sociais e convidar os amigos também.

Agora, fique com este maravilhoso vídeo sobre o impacto precioso dos lobos introduzidos no Parque Nacional de YellowStone- nos Estados Unidos, em 1995 – para a restauração da complexa rede ecológica entre espécies:

 

Fotos: Juliana Gatti

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Um sonho vivo para as árvores

todo-dia-da-arvore

publicado primeiro no portal Conexão Planeta no dia 22 de setembro de 2016

Acordei cedo e abri as janelas. Pude observar o horizonte, muita natureza, um lindo nascer do sol. Inúmeras espécies de árvores diferentes em seus formatos de copa, desenho de folhas, tons de verde. Ainda tinham aquelas floridas e coloridas que com o raiar da luz da manhã ganhavam vibração de cor mais bela. Escutava o canto das aves, muitos tipos diferentes, enxergava até mesmo o movimento de uma família de macacos por entre as copas.

Com a xícara de café nas mãos, saboreava com todos os sentidos e muita satisfação. Sabia que a produção desse café é responsável, cultivado em harmonia com a floresta. Se beneficiando da riqueza de qualidade de solo que somente a floresta oferece.

Fui caminhando para o trabalho, apreciando a natureza do bairro de perto. Borboletas voavam de um canteiro florido para outro, crianças cuidavam com suas turmas de escola dos pequenos lotes de jardim produtivo e horta comunitária. Calçadas largas e ruas arborizadas, muitos caminhos com a copa das árvores se encontrando e se tocando criando bonitos padrões de sombreado no chão.

Observei uma celebração de um grupo de pessoas ao longe, em uma biblioteca, que fica no mesmo quarteirão do museu, pessoas mais velhas e crianças se uniam com alegria para realizar o plantio de árvores – ainda pequenas mudinhas –  as mais jovens moradoras do novo jardim inaugurado no local do antigo estacionamento.

Mais adiante pude ver os comerciantes regando as pequenas mudas nativas plantadas no novo calçadão inaugurado em uma das ruas mais antigas do centro da cidade. Esse momento da rega era também feliz! Clientes e lojistas lembravam com alegria do dia do plantio, esperando com paciência e carinho o desenvolvimento pleno de cada uma dessas queridas árvores nativas que contavam a história ambiental da região.

Na nossa cidade, as árvores foram todas plantadas nos locais definitivos desde pequenas mudas com pouco mais de 40 cm de altura. Todos sabem o valor das árvores para a vida. Todos se sentem responsáveis por cuidar com enorme sentimento de agradecimento e consciência da importância de cada uma delas para todos seres, para a cidade, para o país.

Afinal, somos o país que tem o nome de uma árvore. Escolhemos esse nome, pois a florada amarela do pau-brasil na primavera, sempre compôs lindamente a paisagem com o verde brilhante da mata de maneira apaixonante. Preservamos todas essas árvores, honramos e cuidamos da maior parte do território de nossas florestas e dos nossos mais diferentes biomas. Somos um povo orgulhoso da nossa identidade ambiental. Temos em nossa essência de vida o meio ambiente e somos gigantes por nossa natureza.

Aqui a legislação tem a natureza, o solo, os rios, as montanhas, os animais e todas as árvores como sujeitos de direito. A sociedade, em todas as cidades do país, atuam voluntariamente cuidando de todas as árvores. Fazem cursos para identificar as espécies, para aprender a coletar e armazenar sementes, germinar, plantar, realizar cuidados com a saúde de cada árvore. São grupos espalhados em todos os cantos do país, que se dedicam e se organizam em competições saudáveis que medem quantas árvores foram plantadas, salvas, curadas e cuidadas ao longo de cada estação. Uma atividade incrível que mobiliza todas as idades, famílias e moradores de cada região.

Essa época do ano é linda e sublime, a chegada da primavera renova os sorrisos e é a época que mais ações dos programas de cuidado com a natureza acontecem em todo o território nacional. Essa cultura é tão forte e enraizada no povo que a notícia dos eventos e encontros tem destaque internacional na mídia como modelo para outras nações.

De repente, no caminhar por meio ao bosque, um barulho alto e estridente arde meus ouvidos. Acordo repentinamente do meu sonho. Estou no centro, da maior cidade do Brasil. Todos os dias acredito que os sonhos podem se tornar realidade. Que todos os dias seja o dia das árvores e que, na primavera, todos encontrem e germinem a semente de amor pela natureza.

Foto: Aline Arruda/Criança e Natureza

Produtos e Serviços

empresa ÁRVORES VIVAS PRODUTOS E SERVIÇOS ECOLÓGICOS tem foco na prestação de serviços nas áreas de paisagismo e soluções baseadas na natureza; turismo ecológico; comunicação ambiental; produção de eventos na área de sustentabilidade; cursos, formação e palestras especializadas; além de outras consultorias sobre ecologia urbana. A empresa também atua na comercialização de mudas, sementes e banco de imagens. Acesse os links de cada tema para obter mais detalhes, ou entre em contato para solicitar maiores informações.

Nossos serviços incluem uma diversidade de atividades para atender integralmente a necessidade dos clientes: e parceiros:

  • PAISAGISMO E SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA;
  • ROTEIROS, GUIAS E TURISMO ECOLÓGICO;
  • COMUNICAÇÃO AMBIENTAL SEGMENTADA E EDITORIAS PRÓPRIAS;
  • PRODUÇÃO DE EVENTOS NA ÁREA DE CULTURA AMBIENTAL;
  • OFICINAS, CURSOS, WORKSHOPS, CAPACITAÇÃO E PALESTRAS ESPECIALIZADAS;
  • PROJETOS EM ECOLOGIA URBANA;
  • PRESENTES ECOLÓGICOS;
  • MUDAS E SEMENTES.
Também nas cidades é possível criar espaços para que a natureza – flora, fauna, águas, ciclos naturais e serviços ecossistêmicos – prosperem, e como consequência teremos ambientes mais saudáveis e prósperos para toda sociedade”.
Juliana Gatti – idealizadora do Grupo Árvores Vivas

Instituto Árvores Vivas

OSCIP INSTITUTO ÁRVORES VIVAS PARA CONSERVAÇÃO E CULTURA AMBIENTAL atua na promoção de projetos de conexão com a natureza com crianças em estado de vulnerabilidade em escolas, instituições de ensino e cultura – Escolas Naturais; hospitais e instituições de cuidado e saúde. – Doutora Natureza.

Atendemos ampliando a presença de áreas verdes, enriquecendo a biodiversidade e oferecendo soluções baseadas na natureza para estes locais. Ao mesm tempo que capacitamos e estimulamos práticas e vivências de apreciação da natureza com cuidadores, profissionais e a rede de apoio das crianças. A natureza como parte integrante da vida das crianças desde a primeira infância é essencial para o pleno desenvolvimento infantil.

Também realizamos atendimento informativo para todos cidadãos gratuitamente por meio do blog com publicações e retorno a perguntas sobre cuidados com plantas, identificação de espécies e orientações sobre preservação.

Conduzimos pesquisas e projetos colaborativos de ciência cidadã sobre árvores e a natureza nas cidades e na vida de toda sociedade como o projeto Onde está o pau-brasil? e o Minha Árvore Viva.

Você conhece e planta árvores frutíferas nativas?

Ao falar de árvores frutíferas, é importante lembrar porque plantas produzem frutos e explicar que muitos não são comestíveis para nós, humanos. Antes mesmo de nos servirem como alimento, e serem modificadas conforme nosso gosto e paladar, as frutas e os frutos possuem outra função primordial: a de disseminação das sementes de cada espécie.

Podemos fazer o exercício de sair da caixinha da percepção utilitarista da natureza – na qual os frutos existem para satisfazer nosso gosto e desejo – para o ponto de vista de que as plantas evoluíram transmitindo as características genéticas dos frutos. Ao longo do tempo, tornaram-se mais eficientes e obtiveram maior sucesso na disseminação das suas sementes.

A dispersão pode acontecer por outras quatro diferentes formas:
Anemocoria: com frutos que possuem mecanismo de lançar suas sementes de maneira explosiva ou por gravidade
– Autocoria: com a água como meio dispersor para frutos com boa flutuação e durabilidade em meio aquático
Hidrocoria: quando as sementes ou frutos pequenos e leves, com um envoltório plumoso, são levados pela água da chuva e
Zoocoria: a dispersão com auxílio de diferentes tipos de animais: peixes (ictiocoria); morcegos (chiropterocoria); aves (ornitocoria); primatas (primatocoria); formigas (mirmecoria) e ungulados (artiodactilocoria).

Se você tem a intenção de ser um dedo verde ou um ótimo germinador de sementes, conhecer as diferentes formas de dispersão é importante para maior sucesso na germinação. Além desta época do ano ser excelente para coletar sementes de diferentes frutíferas amadurecendo em todo o país.

Participantes de palestras e atividades Passeio Verde do Instituto Árvores Vivas, muitas vezes não sabem que a maioria das frutas saboreadas no dia-a-dia são originárias de outros países e regiões. Exemplos: abacate e mamão são da América Central; a manga, da Índia; banana, da Malásia; a amora, a laranja e o limão veem da China; a nêspera e a jaqueira, da Ásia.

Ainda são poucas as frutas originárias do território brasileiro e comercialmente disponíveis mas, não muito tempo atrás, era comum encontrar em pomares das casas frutíferas que, aos poucos, estão sendo resgatadas pela gastronomia com identidade regional. Entre elas, cito algumas de diferentes biomas:

Mata Atlântica > cerejeira-do-rio-grande, uvaia, cambuci, grumixama, palmeira-jerivá, palmeira-jussara, ingás, cabeludinha, aroeira-pimenteira, jaboticaba, feijoa, araçás;

Cerrado > mangaba, pequi, buriti, jatobá, gabiroba, araticum, caju, bacupari, baru, maracujá, jenipapo;

Amazônia > tucumã, cupuaçu, palmeira-açaí, camu-camu, palmeira-pupunha, ajuru;

Há, inclusive, roteiros gastronômicos que celebram sua existência, como é o caso da Rota do Cambuci que, neste ano, terá seu encerramento nos dias 16 e 17 de dezembro, no Largo do Cambuci, em São Paulo. Vale anotar na agenda e se organizar para visitar, saborear e adquirir produtos agroecológicos no evento.

A feijoa (Acca sellowiana) é um exemplo interessante. Na Nova Zelândia sua presença comercial é massiva com a fruta natural, geléias e sucos, tão presente e comum inclusive na arborização urbana, faz com que as pessoas nem saibam que é nativa do Brasil. Enquanto aqui pouquíssimas pessoas conhecem ou já experimentaram.

Com a divulgação cada vez maior das plantas alimentícias não convencionais – PANCs, se fortalece o resgate da sabedoria sobre o consumo de plantas regionais e disponíveis em cada estação. Existem inclusive campanhas cada vez mais constantes em todo o mundo para se privilegiar refeições elaboradas respeitando a sazonalidade dos alimentos, o que promove a redução dos impactos nas mudanças climáticas.

A maioria destas árvores frutíferas nativas que foram esquecidas, ou ainda, que podem ser valorizadas são também fonte de recurso para a fauna silvestre. Muitas espécies correm risco de extinção ou encontram-se em estado de vulnerabilidade devido ao desmatamento, principalmente.

Optar por espécies nativas na composição do plano de plantio de um pomar e arborização urbana é uma escolha benéfica para a cultura ambiental da sociedade e para muitos animais que convivem conosco, criando pequenos oásis alimentares para a fauna e, claro, refúgios de apreciação da natureza para todos nós.

Em tempo, aproveito para convidá-los a participar do mapeamento colaborativo de frutíferas do Instituto Árvores Vivasque divulguei aqui, no Conexão Planeta, em fevereiro. É só acessar o link do formulário e preencher os dados das árvores frutíferas que você conhece na sua rua, em seu bairro, cidade ou em locais que visita com frequência.

Foto: Arthur Chapman Campomanesia phaea (Cambuci) / Creative Commons

>> Publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 7 de novembro de 2017 <<

Preservar as árvores mais antigas e amar a natureza que somos

Mais um ano, a primavera se aproxima e, hoje, celebramos o dia de nossas queridas árvores. Para não perder o costume, faço questão de reafirmar, para mim todo dia é Dia da Árvore!

A bandeira que me move e minha luta tem sido, ao longo de 11 anos, a de promover o vínculo de crianças e adultos com as árvores e natureza. O desenvolvimento da cultura ambiental na sociedade. Tem sido uma jornada contínua – a passos de formiga – e incansável, mas sempre nutrida pela sabedoria que encontro junto a maestria das árvores. São como pais e mães pra mim. Nelas encontro acolhimento, paz, serenidade, conhecimento e re-conhecimento. Aprendizados valiosos para cada situação da vida.

Lembro-me como se fosse ontem, quando passava momentos da minha infância no sítio dos meus avós, sentada no chão, junto dos troncos e sob a sombra das minhas primeiras mestras. Eram elas a amoreira, a jabuticabeira e o abacateiro. Eu tinha esse lugar especial de estar plena junto a elas, passando horas em um tempo sem tempo, momentos eternos. Como se delas eu recebesse nutrição e pudesse voltar quando fosse necessário. De certa forma, acredito que meu sonho dos tempos atuais teve sua semente plantada ali na infância, naqueles momentos junto à natureza. Sonho um sonho em que todas as pessoas recebem uma semente de árvore e a natureza em seu coração. Um sonho de plantar árvores nas pessoas.

Neste dia da árvore – o dia em que celebro o aniversário das minhas irmãs e melhores amigas -, ofereço dois presentes para os leitores do blog Árvores Vivas e para todos que acompanham a trajetória ao longo dos últimos 11 anos.

Primeiro, mais um mapeamento colaborativo do Instituto Árvores Vivas, desta vez para juntos guardarmos e protegermos as árvores anciãs de nosso país, que crescem continuamente até o fim de suas vidas. As árvores mais antigas são as mais importantes para o equilíbrio ecológico, a manutenção da biodiversidade e a sustentação de serviços ecossistêmicos de qualidade.

Todas as árvores antigas deveriam ser preservadas, cuidadas, valorizadas. Merecem nosso respeito, amor, luta e carinho. Este mapeamento tem como missão identificar onde estão estas árvores, quem são elas e futuramente permitir que o Instituto Árvores Vivas possa apoiar e trabalhar no tombamento e na conservação destas árvores tão valiosas para a vida do planeta.

Se você conhece árvores grandiosas, em altura e diâmetro, se conhece de uma árvore anciã e muito antiga – em área urbana, rural ou até mesmo em áreas de preservação ambiental -, registre-a no formulário de mapeamento Onde estão nossas árvores anciãs? para que possamos monitorar e juntos trabalhar a favor das nossas mestras, mães e pais, seres que são parte essencial da nossa existência, que são parte da nossa família brasileira!

Segundo presente: na semana passada, nos dias 14 e 15 de setembro, aconteceu o I Encontro Natureza e (des)Medicalização no Instituto de Psicologia da USP. Esta iniciativa foi organizada e realizada por muitas instituições e pessoas, entre elas o Instituto Árvores Vivas, Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, a Rede Permaperifa, Instituto Alana, o Grupo de Queixa Escolar e o Fórum Contra a Medicalização da Educação e da Sociedade. E é resultado de diálogos ocorridos durante dois anos, que frutificaram e culminaram com dias de muitas trocas de experiências, aprendizados e partilhas.

Tive a honra de fazer a palestra de abertura da conferência e também realizei uma vivência autoguiada de sensibilização com a natureza para todos os participantes. Foi uma experiência linda de ver e viver e muitas pessoas me pediram para compartilhar. Então, escrevi e publiquei material a respeito. Quem tiver interesse em acessá-lo e estar em contato mais pleno com a natureza no dia-a-dia, é só baixar o material. Para tanto, é necessário preencher o cadastro para registro.

Foto: Juliana Gatti – Figueira do Parque Ibirapuera


publicado primeiro no Portal Conexão Planeta dia 21 de setembro de 2017

As árvores e o universo em suas cascas

Lisas, rugosas, frias, mornas, grossas, finas, com espinhos, descamantes, coloridas, tom sobre tom, esverdeadas, avermelhadas, macias. Estas são algumas características sentidas e observadas em diversas espécies de árvores diferentes. As cascas são como a “pele” das árvores e dizem muito sobre a relação de milhares de anos construída com o ambiente natural onde vivem. Na casca acontecem muitas trocas e interações das árvores com o meio onde vivem. Nela podemos encontrar outras plantas, insetos, outras árvores, parasitas, líquens, mamíferos, aves, musgos.

Como humanidade, por meio das cascas das árvores temos obtido uma grande diversidade de subprodutos: úteis na forma em que se encontram ou processados para se obter compostos mais essenciais e servir como base de medicamentos. As cascas realmente são como o universo.

Você já sentiu ou observou a casca de uma árvore? Qual foi a última vez que você tocou e observou com proximidade esse incrível microcosmo?

É nítida a diferença de vida encontrada em uma casca de árvore habitante de uma floresta ou de uma reserva natural em comparação com a grande maioria das cascas de árvores em ambientes urbanos. Nas árvores de casca rugosa, é mais fácil perceber a resistência da natureza mesmo em ambientes menos biodiversos como os das cidades. Por manterem mais umidade e acumularem mais resíduos por entre as frestas, é comum encontrar – nas árvores com esta característica – samambaias-grama e também musgos em sua face menos ensolarada.

E quer ver? As pessoas que vivem nas grandes cidades têm se envolvido cada vez mais no processo de enriquecimento da diversidade do universo dessas cascas. Elas recolhem orquídeas doadas pelo comércio e moradores da região para fixá-las em árvores nos jardins dos prédios ou nas calçadas. São diversas espécies epífitas que não prejudicam as árvores em nenhum sentido e adaptam-se com facilidade fixando suas raízes aos poucos.

Na parte do universo correspondente aos animais, passarinhos cuidam da disseminação de sementes de outras árvores como as chefleras (Schefflera arboricola) ou as figueiras, mais comumente encontradas crescendo nos troncos. Mas também a famosa erva-de-passarinho, uma hemiparasita – retira seiva bruta da planta hospedeira, mas faz sua própria fotossíntese. A disseminação desta espécie é um reflexo inclusive da pouca diversidade de alimento que há para as aves nas cidades. Outras aves passam boa parte do tempo se alimentando de insetos presentes nas cascas, como o pica-pau e a corruíra. Diversas espécies de primatas e também as lindas preguiças, aqui no Brasil, são os mamíferos que mantêm relação mais íntima com as árvores, principalmente por viverem agarrados em suas cascas.

Reparar nas cascas com atenção e abertura para a inspiração na natureza! Pode ser uma viagem criativa muito especial. Tem casca que lembra as camuflagens de roupas, composições de tonalidades incríveis, em outras você consegue notar linhas e marcas de crescimento. Onde os pontos de esforço e adaptação são formados para sustentar a estrutura dos galhos, percebemos um enrugado que lembra dobras da nossa pele. Bem perto da casca flui a seiva da vida da árvore, por isso, quando há uma ferida ou ponto de entrada de inseto, vemos a seiva escorrer.

Por meio de sua casca, a árvore também troca gases e, estimulada pela temperatura do ambiente, marca o período para sua floração e frutificação. Observar a casca de uma árvore é conectar-se com o estado natural da espécie. Então, muitas vezes me pergunto por que as pessoas querem ‘vestir’ as árvores da mesma maneira que vestem animais domésticos? Vejo muitas árvores na cidade de São Paulo, por exemplo, ‘vestidas’ de crochê. É bonito de se ver, sim! Mas alguém já se perguntou se isso interfere na existência da árvore? Ele poderia ser aplicado em inúmeras outras superfícies…

Eu mesma tive a oportunidade de notar essa influência. Era começo do inverno, ocasião do ano quando os ipês começam a perder suas folhas e a florescer. No ciclo anual da árvore, esse momento é estimulado pelo clima diretamente, tanto que observamos florações mais ou menos intensas, dependendo de como tem sido o clima: quanto mais seco, mais frio, mais flores.

E não é que, naquela rua, com um ipê ao lado do outro formando uma alameda linda, encontrei uma das árvores coberta de crochê? E foi fácil perceber a diferença entre ela e os demais ipês. Todos já estavam sem folhas e com brotações de novas flores, enquanto que a árvore ‘vestida’ não. Ela estava totalmente folhada, como se não estivesse captando os dados daquele momento climático da mesma maneira que suas irmãs da mesma espécie.

E este relato pode ser o ponto de partida para diversas reflexões. Por que queremos ver as árvores vestidas? De alguma forma. queremos tirar a naturalidade da sua existência, assim como era muito comum passar cal na base dos troncos e pedras.

A diversidade e a relação única de cada casca de árvore com o ambiente é um reflexo da relação profunda do indivíduo com o local que habita. Denota particularidades do tempo de sua existência, exibe marcas e expressões naturais, traumas ou, até mesmo, lembranças de um encontro com outra espécie. Então, faça questão de sentir e apreciar a casca das árvores no seu próximo encontro com elas, depois me conte.

Fotos: Juliana Gatti


publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 14 de agosto de 2017

Semear para colher: aprendendo com o Ingá-Açu

Certamente uma das coisas mais bonitas da vida é poder acompanhar o germinar de uma semente, o crescimento da muda, a primeira flor, a maturação dos frutos. Tudo no seu devido tempo. Muitas vezes antes do que esperado, outras tantas depois de longos e longos períodos de espera.

Germinar sementes pode ser uma excelente oportunidade de estudos, pesquisas e investigações. Além da contemplação de sentimentos que nutrimos pelo desenvolvimento da planta, a empatia, expectativa e emoção.

Pessoalmente tenho muitas histórias sobre sementes que coletei, ganhei e pude germinar. Mas há uma, muito especial, que é um presente recente: uma grande vagem de metro de um ingá. Nesta vagem de ingá-açu – grandiosa como o próprio nome açu, de origem Tupi, diz – encontrei 17 sementes.

A espécie Inga edulis pode atingir até 20m de altura e ocorre de maneira natural na América do Sul e em diversos biomas brasileiros incluindo a Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Está presente em todos estados da região norte e Mato Grosso no centro-oeste, também desde Pernambuco e Paraíba, conectando-se ao sudeste pela Bahia até Santa Catarina na região sul.

O gênero botânico Inga possui mais de 300 espécies diferentes distribuídas em todos esses territórios, mas a maior diversidade fica na região Amazônica.

Suas flores de cor amarela esbranquiçada lembram um pompom por terem muitos estames expostos – parte masculina da flor. A observação cuidadosa das folhas, também muito características do gênero, e de cada detalhe da morfologia da planta é que proporciona a identificação da espécie.

Da família Fabaceae e subfamília Mimosoideae, os ingás são muito frequentes junto às margens de lagos e rios. Sua vagem, na maioria das espécies, tem tamanho entre 10 e 30 cm, no caso do Inga edulis os frutos chegam a ficar com cerca de 50 cm de comprimento. Todas as sementes são protegidas por um arilo ou polpa branco de sabor adocicado que pode ser consumido in-natura por humanos, mas é essencial na alimentação de muitas aves, peixes e mamíferos como os macacos. O gênero Inga é nome de origem indígena e significa empapado ou ensopado.

O ingá-açu é também conhecido por diversos nomes populares como ingá-cipó, ingá-de-metro, ingá-timbó, ingá-rabo-de-mico, ingá-macarrão, ingá-doce entre muitos outros, cada nome refletindo a cultura da região onde está presente.

A árvore que é “mãe” da vagem que ganhei, mora em Piracicaba no estado de São Paulo. Ela foi colocada para germinar em um vaso entre 2008 e 2009. E a “avó” dela é uma sementinha que já estava germinada, vinda da Amazônia, guardada em uma garrafa para mantê-la preservada até chegar em São Paulo. Os guardiões dessa linha ancestral das sementes que germinei são Toni e Marta, um casal que vive e respira natureza em tudo que fazem, com muito amor, carinho e criatividade. Ao lado foto do Toni com a árvore mãe.

Logo que a vagem do ingá chegou em minhas mãos, muitas pessoas com quem eu encontrava admiravam o tamanho e a forma da vagem. Sentir a textura da casca e carregar ela comigo, onde quer que eu fosse, por alguns dias era como cuidar de um tesouro. Ela ficou junto comigo, na mesa de trabalho e na sala de estar, até o dia em que a levei para o viveiro para plantar.

Enquanto abria a vagem, observava as sementes com as pequenas folhas já despontando. Ao separar cada semente da casca do fruto, senti suas raízes entrelaçadas e as removia cuidadosamente. Cada semente fica protegida por uma cobertura suave, macia e branca, com uma textura que lembra um tecido felpudo recoberto de orvalho.

Este arilo se desprendia com facilidade e todas que estavam claras eu degustava, trata-se da parte mais saborosa e doce da planta. Em literatura sobre plantas alimentícias não convencionaisPANCs – é fácil encontrar receitas feitas com a polpa e com a farinha das sementes assadas. As vagens do ingá-cipó podem ser encontradas com facilidade nos mercados da região amazônica onde são vendidos feixes com diversas vagens ainda por abrir.

Coloquei cada semente cuidadosamente em um saquinho com terra adubada e bastante solta. Posicionei as raízes voltadas para baixo e as folhas perto da superfície, recobrindo com um pouco de terra. Reguei com água abundante e ainda mantive em uma caixa plástica todos os saquinhos juntos para que eles perdessem menos umidade.

Como uma metáfora para nossa própria vida, no dia-a-dia plantamos sementes com nossos sentimentos, pensamentos, intenções e ações.

Então, vamos cultivar e cuidar com carinho de todas as sementes que colocamos para germinar, permitindo que elas deem lindas flores e frutos saborosos para nós e toda a fauna existente.

 

 

 

Fotos: Haplochromis/Wikimedia Commons Arquivo Pessoal Toni/Marta (árvore mãe) e Juliana Gatti (sementes e vagem) 

este post foi publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 12 de julho de 2017

Encontro Natureza e (des)Medicalização

O Instituto Árvores Vivas tem muita alegria e orgulho de ser  uma das organizações realizadoras deste evento tão especial e necessário para toda sociedade. Um espaço de troca e muito aprendizado.

Reserve sua agenda, 14 e 15 de setembro no IPUSP – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo junto com Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, Instituto Alana, GIQE e muitos outros.

Evento Gratuito. Todos interessados podem participar e também submeter trabalhos com foco no contato com a natureza para a promoção da cidadania, saúde mental e educação. O prazo de inscrição dos trabalhos vai até dia 18 de agosto.

Detalhes sobre a programação podem ser acessados no site do evento – http://encontronatureza.wordpress.com

Assim como as fichas de inscrição e formulário para submissão de trabalhos! Participe e compartilhe este evento!

 

 

Coníferas: árvores da época dos dinossauros, ainda habitam regiões do Brasil, Estados Unidos e Nova Zelândia

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 06 de junho de 2017  

Todas as vezes que me deparo com coníferas – plantas mais conhecidas como pinheiros -, presto reverência. Fascinantes ancestrais das espécies que conhecemos hoje, já ocupavam o planeta terra no Período Jurássico a cerca de 190 milhões de anos atrás . Quando realizo o Passeio Verde (sobre o qual já falei aqui, no blog), que é uma caminhada com crianças e suas famílias, sempre levo os participantes para visitar pinheiros. Não perco a oportunidade de compartilhar a existência dessas históricas espécies com todos. Eu as chamo carinhosamente de “plantas dinossauro”, pois ambos conviveram nas mesmas paisagens: as coníferas e estes tão admirados animais.

Durante os últimos dez anos de pesquisas e trabalhos realizados com árvores, natureza e a humanidade, um dos aspectos que sempre me fascina é perceber o quanto nossa vida é pequena, curta e ainda tão frágil em relação a vida e a proporção de muitas espécies de árvores e plantas. Estas, talvez por já ocuparem nosso planeta há tanto tempo, desenvolveram habilidades adaptativas bastante importantes para garantir a sobrevivência das espécies. E, nós humanos, por certo, ainda temos muito a aprender sobre elas. Afinal, as árvores mais antigas do mundo, descobertas e avaliadas por pesquisadores, são milenares e, em quase sua maioria, são coníferas.

Aqui, em São Paulo, no Parque Jardim da Luz, os visitantes podem ter contato com diversas espécies de coníferas, originárias de muitos lugares diferentes do mundo. Algumas destas árvores são tão antigas quanto o parque, que tem cerca de 200 anos. Outras simbolizam o relacionamento das comunidades de todo o mundo com o Brasil, como é o caso do cipreste-português (Cupressus lusitanica), plantado em homenagem à comunidade Vasco da Gama. Ou a grandiosa Manila-copal (Agathis robusta) da família das araucárias, que foi presente do cônsul da Índia. Esta árvore fazia par com outra, da mesma espécie – cada uma ficava de um lado do portão de entrada na Avenida Tiradentes -, mas uma delas morreu ao ser atingida por um raio alguns anos atrás.

Lá também encontramos a araucária australiana (Araucaria bidiwilli) e – claro! -, nossa querida Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paraná) nativa brasileira, compondo a vegetação de áreas frias e de altitude de nossa Mata Atlântica.

Alguns anos atrás tive a oportunidade de visitar uma araucária brasileira, centenária, em uma reserva na cidade de Canela, no Rio Grande do sul. Estimam que ela tenha mais de 700 anos e 42 m de altura. É uma sobrevivente: resistiu a uma intensa extração de suas companheiras e irmãs à volta.

Espécie criticamente ameaçada de extinção, segundo a classificação da IUCN (International Union for Conservation of Nature), a Araucaria angustifolia foi largamente utilizada para construção e produção de carvão, além de haver perdas inestimáveis em áreas de represamento no sul do país.

No local onde vive esta araucária quase milenar, também é possível ver um pouco da história da extração da espécie na região por meio de fotos históricas, e visualizar grandes colunas de nó de pinho que ainda estão preservadas. Onde existe araucária existe muita biodiversidade, gralhas – que também são responsáveis por sua semeadura – e muita água. Em São Paulo, até mesmo um rio e um bairro receberam nome de Pinheiros em referência à presença massiva de araucárias. Hoje, raramente encontramos alguma que resistiu por aqui.

Recentemente, participei de uma conferência na Nova Zelândia para compartilhar a experiência do programa Criança e Natureza, que realizamos no Instituto Árvores Vivas desde 2007. Nos três dias de folga do evento, fiz questão de visitar áreas naturais que preservam parentes de nossas araucárias. Por lá, dizem que uma kauri (Agathis australis) de dez mil anos chegou a ser cortada, e só souberam sua idade depois que a mataram.

Na foto de destaque deste post, está uma Tane Mahuta (Lord of The Forest ou Senhor da Floresta). Segundo a lenda Maori, Tane é quem dá a vida e todas as criaturas vivas são seus filhos. Sua idade é estimada em dois mil anos, com altura de aproximadamente 51 metros. Esta é a maior árvore da Nova Zelândia. Mas, também tive a alegria de conhecer a mais antiga: Te Matua Ngahere.

Te Matua Ngahere é o Pai da Floresta, com 30 metros de altura, menor que Tane porém mais velha: estima-se que tenha três mil anos. Nova Zelândia só começa a ser colonizada por navegadores da Polinésia no ano 950D.C.. Antes disso, toda sua natureza permaneceu intocada e preservada.

Atualmente, a vida destas árvores corre séria ameaça de contaminação e para evitar a disseminação da doença fúngica – que chegou à ilha com máquinas de grande porte vindas da Europa no pós-guerra -, há um grande esforço dos parques nacionais da Nova Zelândia. Todos os acessos às áreas das florestas das kauris contam com um imenso aparato de desinfecção dos sapatos dos visitantes na entrada e saída das trilhas, além de inúmeras rampas elevadas para a caminhada dentro das florestas, perto das raízes das árvores, pois são muito superficiais e vulneráveis à contaminação.

As maiores árvores do mundo, são as sequoias (Sequoiadendron giganteum). No Brasil, podemos encontrá-las em alguns parques como o Parque das Sequoias, também localizado em Canela, no Rio Grande do Sul. Mas é nos Estados Unidos que residem as maiores e mais antigas já registradas. O General Sherman, nome dado à maior sequoia que existe por lá, tem 83 metros de altura segundo informações do Serviço dos Parques Nacionais.

A árvore mais antiga conhecida também fica nos Estados Unidos na região do Parque White Mountains, na Califórnia. Nele, residem indivíduos do pinheiro-bristlecone (Pinus longaeva), onde foi datada a árvore viva mais antiga do mundo, com 5.070 anos de idade. Mas sua localização precisa é mantida em segredo para sua devida proteção. De característica diferente das outras coníferas que citamos até aqui, elas são extremamente resistentes a condições de vida severas e de solos muito pobres de nutrientes e áridos. Essa resiliência que lhe confere tanta força e vida, dá aos indivíduos da espécie um formato contorcido e escultural.

Na próxima vez que você encontrar um pinheiro, mesmo aquele típico de Natal, honre sua existência no planeta.

Fotos: Juliana Gatti/acervo pessoal (Tane Mahuta), Cesar W. Filho/Pixabay e Rick Cain/National Park Service

Aqui, cabe mais uma árvore! Mapa colaborativo online ajuda na identificação de locais para plantio

publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 18 de abril de 2017

Tenho notado que, cada vez mais pessoas entendem que é essencial ter árvores plantadas próximo de suas casas, das escolas, dos hospitais, do comércio, em qualquer ponto da cidade. Com o aumento considerável da população, cuidar da arborização urbana é essencial para garantir melhor qualidade de vida, saúde e bem estar para todos e o próprio ambiente onde a cidade está inserido.

Aliás, falar de arborização urbana é tratar de um tema multidimensional e transdisciplinar. A forma como lidamos com as árvores – como consideramos sua existência – é um reflexo puro de como caminha a educação, o senso de pertencimento, a identidade cultural ambiental e a valorização da vida em suas dimensões naturais.

Com o mundo globalizado não há mais desculpas porque são inúmeras as soluções e os caminhos para cuidar, planejar e implantar bons projetos – se não o melhor projeto – de arborização nas cidades. Tanto em modelos já aplicados e realizados em outros lugares do mundo, como em termos de tecnologias que podem auxiliar a tomar decisões mais estratégicas sobre como, onde e quando realizar o plantio de árvores. Destaco, aqui, o projeto realizado pelo MIT – Massachussets Institute of Technology, que tem comparado a arborização urbana de diferentes cidades do mundo: o Treepedia.

Eu, particularmente, sou enfática quanto a priorizar o plantio de árvores em áreas dentro e próximas às escolas, hospitais e unidades de saúde. Sei, por minha trajetória bastante ativa nessa área, que árvores e natureza promovem o pleno desenvolvimento da infância, do bem estar e qualidade de vida para crianças, adolescentes e adultos.

Em minhas pesquisas e meus projetos, desenvolvo meios para a promoção de uma conexão empática e afetiva da sociedade com as árvores. Participo de grupos de pesquisa de áreas multidisciplinares que enfocam a saúde por meio da medicina integrativa, o bem estar psicossocial e a urgência da natureza acessível para toda a população.

Recentemente, em workshop do qual participei, o cientista e médico Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, destacou estudos que demonstram, quando áreas verdes e arborizadas estão a uma distância de 250 m de onde as pessoas vivem, há redução de 30% no risco de enfarte. Este dado já seria suficiente para que o direito a árvores fosse efetivamente cumprido como meta política das cidades.

No mesmo encontro, o biólogo e pesquisador coordenador do programa Cidades Globais, na USP, Marcos Buckeridge, apresentou dados sobre a arborização urbana na cidade de São Paulo. Constatou que a distribuição é muito irregular, com prefeituras regionais extremamente áridas e enalteceu a urgência de tomadas de decisão para a conquista de uma cidade sustentável. Ele levantou a quantidade de árvores por habitante de cada uma das 27 prefeituras regionais da cidade: somente seis prefeituras regionais registram mais de uma árvore por habitante.

Mesmo assim, com a urgência do plantio, é importante tomar medidas eficazes para a distribuição de árvores de maneira mais homogênea pela cidade, focalizando estruturas prioritárias e, melhor ainda, engajando a população nesse processo. O salto que queremos ver na arborização urbana passa pelo apoio, pelo envolvimento e participação das pessoas, acolhendo cada nova árvore, compartilhando a responsabilidade por cuidar delas e procurando mais locais para o plantio.

Sempre lembrando, claro – como escrevi em texto publicado em 7 de março de 2010 -, que devemos plantar, sim, e muito, mas sabendo qual a Árvore Certa para o Lugar Certo. Depois de mais de sete anos desta reflexão poética, fico feliz em ver esse ‘mantra’ reverberar na voz e na intenção da população cada vez mais envolvida na causa.

Para colaborar com esse processo de engajamento da população, o Instituto Árvores Vivasque idealizei e presido, e que dá nome a este blog no Conexão Planeta – oferece ferramentas de mapeamento colaborativo diversas, que podem ser utilizadas por escolas, empresas, comunidades.

Hoje, especialmente, lançamos também o módulo de mapeamento de locais para receberem novas árvores nas cidades. Assim como nos demais mapeamentos, este é realizado por meio de um formulário online que, além de ter a função prática de apoiar e ampliar a possibilidade de arborização urbana, promove a cultura ambiental, educando as pessoas.

Se você já sabe onde cabem novas árvores na sua cidade, acesse o formulário online e preencha os dados de cada local potencial de plantio. As informações são todas organizadas e serão compartilhadas com as prefeituras e secretarias do verde das cidades mapeadas.

Foto: Juliana Gatti

Na primeira imagem, plantio de árvores nativas realizado com o Coletivo Pedal Verde, movimento pioneiro em mutirões de plantio de árvores nas áreas urbanas de São Paulo. Os participantes levaram as mudas nas bicicletas e plantaram pela cidade entre 2009 a 2014.

Dia Internacional das Florestas: plante árvores e se mobilize por um futuro mais verde

publicado primeiro no portal Conexão Planeta dia 21 de março de 2017

O Dia Internacional das Florestas é um dos inúmeros dias criados com a missão de sensibilizar a humanidade para a importância da natureza em sua plenitude e riqueza para a vida humana. A resolução da ONU, de 21 de dezembro de 2012, foi criada para encorajar todos os países membros a organizar atividades relacionadas a todos os tipos de florestas e, assim, o dia 21 de março foi declarado o Dia Internacional das Florestas.

Entre as atividades indicadas para essa celebração estão plantios de árvores, ações comunitárias e encontros nacionais que envolvem arte, fotografia e filmes, como também ações nas mídias sociais. Dessa maneira, todas as pessoas podem participar.

Com a resolução, o secretariado do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, em colaboração com a FAO – Organização das Nações Unidas para Alimento e Agricultura, deve facilitar a implementação do Dia Internacional das Florestas junto aos governos internacionais de todo o mundo.

E, em cada ano, um tema ligado às florestas é escolhido como norte. Todos sempre muito relevantes, veja: em 2013, foram tratados os aspectos da Floresta no Contexto da Paisagem; em 2014, A importância do Monitoramento das Florestas; em 2015, Florestas e Mudanças Climáticas e, em 2016, o tema Florestas e Água.

O tema de 2017 é Florestas e Energia com foco específico no papel da energia da madeira para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, por meio do desenvolvimento sustentável e da mitigação das mudanças climáticas.

No site oficial da FAO para o dia de hoje, há mensagens-chave elaboradas para o tema, que traduzi do inglês e reproduzo abaixo. Começo pela apresentação:

A energia da madeira é uma grande fonte renovável no mundo, uma energia que pode promover o desenvolvimento econômico. Ao plantar árvores nas cidades pode-se otimizar a vida urbana e reduzir o consumo energético; promove-se a mitigação das mudanças climáticas e a promoção do desenvolvimento sustentável. Florestas e Energia, agora e em um futuro de economia verde.

  • A madeira como fonte combustível é responsável por cerca de 40% do total das fontes de energia do planeta, tanto quanto a energia solar, hidroelétrica e eólica combinada;
  • Cerca de 50% da produção total de madeira (cerca de 1,86 bilhões de metros cúbicos) é utilizada como energia em cozinhas, para aquecimento e geradora elétrica. Para 2,4 bilhões de pessoas, a madeira como combustível significa uma refeição cozida e mais nutritiva, água fervida e uma casa aquecida;
  • Quase 900 milhões de pessoas, a maioria de países em desenvolvimento, estão envolvidas com o setor de produção de madeira como combustível em trabalhos de meio período ou período integral.
  • Modernizar o setor da energia madeireira pode ajudar a revitalizar a economia rural e estimular o desenvolvimento empresarial. Mais investimentos na produção de madeira como fonte de energia e combustíveis avançados podem garantir retorno para financiar uma melhor gestão das florestas, com mais florestas plantadas e mais empregos;
  • Árvores plantadas em locais estratégicos e com planejamento adequado em áreas urbanas pode amenizar a temperatura, resfriando o ar entre 2 e 8 graus Celsius;
  • Globalmente, as florestas contêm energia 10 vezes maior que o total de energia primária consumida em todo o mundo. Por isso, elas possuem potencial significativo como energia renovável para suprir a demanda global;
  • Grandes investimentos em inovação tecnológica e manejo sustentável das florestas são essenciais para ampliar o papel das florestas como a maior fonte de recursos de energia renovável. Desta maneira, investiremos no futuro sustentável, em concordância com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e na visão de ampliar a economia verde;
  • Ampliar os equipamentos domésticos sustentáveis, os bosques comunitários e o uso de fornos e fogões a lenha mais eficientes são medidas que oferecerão acesso a energia barata, confiável e renovável a milhões de pessoas.

São tantos os materiais disponíveis no site da FAO, com muitas referências incríveis para quem trabalha com árvores e florestas no dia-a-dia. Recomendo muito passar um tempo assistindo aos vídeos e lendo os relatórios disponíveis, por ocasião do Dia Internacional das Florestas.

Aqui no Brasil, em 19 de março, foram realizadas grandes mobilizações de plantio que, nas redes sociais, ganharam a hashtag #PlantioGlobal. Com ela, é fácil ter acesso a tudo que foi publicado sobre o dia. Só em São Paulo foram plantadas mais de 500 árvores, muitas em parques municipais, com o apoio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente. O Instituto Árvores Vivas, que criei em 2006, participou de algumas dessas mobilizações (com a KKL Brasil e a equipe do Círculo Macabi), plantando nove árvores nativas de grande porte na zona norte da cidade, como jatobás, paineiras, copaíbas e tamboril.

Outra hashtag interessante para pesquisar é a do próprio Dia Internacional das Florestas – #IntlForestDay – que reúne vídeos da campanha Como a floresta te energiza, apresentando plantios, mobilizações ou simplesmente sua(s) árvore(s) preferida(s), o bosque predileto ou até florestas com as quais as pessoas adoram conviver ou adorariam conhecer. Veja como participar.

Plantar árvores é uma prática essencial para se adotar e realizar com amigos, família e, até, como uma iniciativa individual desde criança. O hábito e a oportunidade de contato com árvores e florestas fazem com que junto nos sintamos “em casa”. Passamos a sentir mais proximidade, que são queridas, são parte de nós. Somente assim plantaremos amor por árvores e florestas no coração das crianças, seja as que estão correndo felizes por ai, seja as que habitam o interior de nossas almas.

Na pesquisa que fiz para escrever este post, me encantei por um dos filmes premiados no Festival de Filmes de Florestas: o Minha Floresta. Não tem legendas em português, mas é, essencialmente, uma poesia visual que, como dito no próprio filme, “plantar árvores enche nossos olhos de lágrimas, deixando a visão marejada, como quando me junto àqueles que me são queridos”.

Feliz Dia Internacional das Florestas! Desejo que ele possa ser celebrado todos os dias e que possamos aprender mais sobre elas a cada minuto e nos apaixonar mais por cada elemento que faz uma floresta ser rica, única e insubstituível.

Imagem: Reprodução campanha ONU

Passeio Verde, entre raízes

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Este post foi publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 17 de janeiro de 2017

Todo início de um novo ano é um momento de renovação e de novas atitudes, por isso quero fazer um convite para que você, leitor, tenha uma nova atitude em relação às árvores e à natureza em seus caminhos.

Começando pelo simples caminhar, uma das atitudes mais essenciais da existência humana, que nos permitiu ocupar locais distantes e diversos do planeta Terra. Exercitar o caminhar no quarteirão de casa, no bairro onde trabalha, mora ou estuda é uma excelente maneira de permitir que a natureza esteja mais presente, de maneira integral, em sua vida.

Permitir, desejar, abrir espaço na rotina, isso mesmo, cabe a nós a escolha e a opção. Queremos que a natureza nos encante, nos demonstre processos únicos que levaram milhões de anos para existir? Desejamos nos sentir mais próximos ou parecidos com as árvores, as aves, o vento, o solo, a chuva, a semente, os insetos? Buscamos essa abertura de sentidos para receber e perceber os sinais da natureza?

Meu desejo é que cada vez mais pessoas consigam fazer essa escolha consciente diariamente. Quero espalhar sementes que estimulem a reconexão, o reencontro com a natureza que somos e que a todo momento é lembrada pela existência de cada elemento que nos cerca, mas na maioria das vezes são pouco valorizados, apreciados e cuidados.

Então, convido você, neste primeiro mês do ano, a fazer conexões com as raízes das árvores por meio de um Passeio Verde, que pode ser feito sozinho, com amigos, com a família ou, até mesmo, participando das vivências realizadas pelo Instituto Árvores Vivas nas ruas, praças e parques de São Paulo.

Você observa ou já observou raízes? O que raízes significam para você?  Para que existem as raízes? Por que raízes são importantes para a vida?  Quantos tipos diferentes de raízes existem?  O tamanho da planta ou da árvore é proporcional ao tamanho de sua raiz?

Nessas caminhadas, costumo dizer que, se árvores e as plantas tivessem boca, ela ficaria na raiz. Antes mesmo de dar sua primeira folha, da semente é ela, a raiz, que brota. Assim fica garantido o acesso à água e aos nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento da planta. E o tamanho da planta? Tem ligação com sua raiz? Sim, totalmente. Se uma planta tem pouco espaço para desenvolver sua raiz, naturalmente o tamanho de seu tronco e dos galhos será menor do que se ela pudesse crescer livremente, sem barreiras.

Abaixo, listo algumas espécies interessantes para apreciar a diversidade estética e estrutural de suas raízes.

FALSA-SERINGUEIRA (Ficus elastica)
Árvore de origem asiática, mas muito comum em diversas cidades ao redor do mundo.

Em clima tropical cresce vigorosamente devido ao calor e à umidade. Seu crescimento e porte são grandiosos.

Suas raízes se estruturam continuamente por meio de pequenas formações que surgem nos galhos e quando atingem o chão se fixam e se fortalecem, criando corpo suficiente para sustentar galhos cada vez maiores, mais longos e mais pesados.

Enquanto ainda soltas, antes de encontrar o chão, as raízes da figueira formam uma espécie de grandes “cordas”, nas quais crianças e jovens costumam balançar e brincar, como na foto.

Raízes de figueiras são muito acolhedoras, mas há algumas curiosidades sobre elas que podem nos dar uma outra visão. Além de figueiras com raízes estruturantes, existem outras com raízes estranguladoras, como a mata-pau que sufoca a árvore em que ela estiver hospedada.

CHICHÁ (Sterculia chicha)
É uma árvore nativa da Mata Atlântica de grande porte.

Esta árvore é um espetáculo em todas as suas estruturas, mas com o foco nas raízes, as suas possuem partes aparentes que auxiliam a sustentação, conhecidas como tabulares. Altas, ficam acima do solo e formam estrutura similar a paredes.

Essa formação sustenta o grande tronco retilíneo da espécie e chega a alturas que podem ser maiores que dois metros ao se abrirem ao lado do tronco. No meio da floresta, esta raiz pode servir como um instrumento de comunicação.

Existem relatos que contam que indígenas, quando queriam se comunicar e saber onde estavam localizados, batiam com força na raiz tabular usando um pedaço de madeira. O som forte emitido pela raiz propagava-se a grandes distâncias, permitindo que seus companheiros localizassem o ponto de onde o som partia.

As raízes da Chichá também dão uma bela proteção para abrigos de crianças que brincam entre as árvores, ou até mesmo para um acampamento ou pernoite em meio à vegetação.

PALMEIRA-JUÇARA (Euterpe edulis)
Suas raízes, assim como de todas as palmeiras, são conhecidas por serem organizadas como uma espécie de “cabeleira” – daí a origem de um de seus apelidos -, mas tecnicamente chamada de fasciculada.

As diversas raízes têm espessura similar e aumentam em número ao longo do tempo para ampliar a capacidade de absorção de água e de sais minerais.

Elas não são muito profundas, mas, neste caso, a eficiência de fixação funciona de uma forma diferente das raízes de outras árvores.

A área da raiz se relaciona com a arquitetura do estipe (tronco da palmeira), que não desenvolve galhos laterais. Assim sendo, a sustentação exige menos esforço para manter o equilíbrio.

MANGUE-BRANCO (Laguncularia racemosa)
Típica das regiões de mangue, esta árvore possui raízes com função respiratória, que crescem invertidas saindo para fora do solo – devido ao fato de as regiões onde se encontram serem alagadas ou alagáveis.

Muito curiosa essa adaptação, que permitiu que a espécie sobrevivesse nessas condições.

Esta é a árvore que abre este post. A foto foi feita na praia de Cumuruxatiba, na Bahia. Lá, ela passa metade do dia totalmente visível e, na maré alta, quase inteiramente coberta pelo mar.

Por isso, árvores de mangues são incríveis e devem ser apreciadas e valorizadas.

PINHEIRO-DO-PARANÁ (Araucaria angustifolia)
Árvore símbolo da região sul do país, assim como outros pinheiros de todo o mundo, possui raiz pivotante ou axial, caracterizada por uma estrutura central principal da qual saem pequenas ramificações.

Em termos proporcionais, raízes pivotantes precisam de solos muito profundos para garantir a profundidade necessária para sustentar a altura da árvore de maneira segura.

Os ipês são árvores que possuem raiz pivotante também, por isso têm sido muito recomendadas para a arborização urbana.

E as raízes das árvores dos caminhos pelos quais você passa, como são ou estão?

Fica aqui o meu convite para que você apreciar as raízes das árvores que encontrar em seu dia-a-dia e vivenciar esses encontros inspiradores. Comente aqui no post e envie registros em fotos para mim.

Feliz Ano Novo! Que as sementes que plantamos se firmem e desenvolvam raízes fortes, ao mesmo tempo em que desenvolvemos “nosso melhor” todos os dias.

Fotos: Acervo Instituto Árvores Vivas e Google Maps (chichá)

Plantando árvores… nas pessoas

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Este post foi publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 22 de novembro de 2016

Quando comecei a trabalhar com sustentabilidade e a questão ambiental, ainda na faculdade, uma dúvida sempre se manifestava nos projetos com os quais eu me envolvia ou propunha. Como as pessoas podiam valorizar ou cuidar de algo que elas não conheciam ou ao qual não se sentiam vinculadas e participantes?

De certa maneira, esta pergunta ainda persiste e me acompanha na criação de estratégias para envolver crianças e comunidades em projetos que promovam maior cultura ecológica e identidade ambiental na vida, todos os dias.

Há poucos dias, caminhando no bairro em que cresci em São Paulo, passei ao lado de mais um empreendimento imobiliário que, para sua realização, transplantou uma pitangueira preta que vi crescer e frutificar, de um lado para outro, no mesmo terreno.

Pitangueiras que frutificam pitangas pretas são raras de encontrar na cidade grande. Acredito que até no campo também. Mas quem sabe disso? Quantas pessoas, ao caminhar diariamente pelas ruas, repararam na pitanga preta que estava disponível, durante toda a primavera, para alimentar todas as aves e também nós, humanos?

Fiquei bastante aflita ao passar ao lado da pitangueira transplantada, já observando sua vida se esvaindo, na secura de seus frutos e folhas. Mas mágicas sempre acontecem quando estou em contato com a natureza. E foi o que aconteceu naquele dia.

Uma folha seca se desprendeu de sua copa e, delicadamente, caiu sobre meu peito. O desprendimento fluiu como uma lágrima que parecia saber que, ao me encontrar, se conectaria ao meu coração.

Digo, muitas vezes, que a missão do Instituto Árvores Vivasorganização social que presido e que dá nome a este blog no Conexão Planeta  – é de plantar árvores nas pessoas. Pois sei que, de alguma maneira, as árvores plantaram uma semente em mim também.

Ao receber a pequena folha seca da pitangueira, senti que ainda existe muito a ser feito. E quem sabe um dia – espero que em breve -, o arquiteto, o engenheiro, o presidente da empresa, o corretor e o morador de cada empreendimento imobiliário das cidades saibam o valor de cada árvore, cada nascente, cada fluxo de água, cada ave que vive e ocupa aquele local por anos, décadas e séculos. E que, com NATURALIDADE, desenvolvam e comercializem projetos que respeitem todos esses elementos para serem assim valorizados, enaltecidos e premiados.

As grandes cidades têm, cada dia mais, acolhido habitantes do mundo todo. Nos próximos anos, a grande maioria da população mundial viverá em centros urbanos. Mas, como estes locais podem ser ótimos espaços para a vida de todos os seres? Será que temos apoiado e favorecido iniciativas que promovam mais harmonia, saúde e valorização dos ativos ambientais de cada local? Qual a responsabilidade de cada um de nós em nossas profissões, relacionamentos familiares e entre amigos na busca por uma vida que respeite, cuide e valorize a vida?

Com sua morte – causada pela falta de compreensão de suas necessidades como ser vivo -, a pitangueira é quase como uma vitrine para todos que enxergam e sentem que algo está completamente fora da ordem.

Lutas sociais por todos que não têm voz e precisam de apoio para serem ouvidos. Pessoas, fauna, flora, rios. Não muito distante da pitangueira, vemos outras árvores antigas e nascentes secarem no Parque da Água Branca, pois o lençol freático de águas subterrâneas foi rebaixado. Esses danos posteriores à natureza dos bairros não são inclusos nos relatórios de impacto ambiental das obras.

O coletivo Ocupe e Abrace, que cuida com muito carinho e respeito da Praça da Nascente, está agora em ação para proteger suas águas e, consequentemente, a vida de todos os seres – incluindo a comunidade – desse local. Então, convido você a conhecer essa causa, contribuir e se inspirar. Todos podemos ter atitudes mais responsáveis com a natureza que somos e que é conectada com cada pedacinho vivo e pulsante ao lado das nossas casas.

Em 2017, o Instituto Árvores Vivas quer fortalecer ações de vínculo entre crianças e comunidades com a natureza no bairro de sua sede – Campos Elíseos, em São Paulo. Assim, aproveito este post para fazer outro convite: conheçam nosso projeto e realizem doações para nossa causa no dia 29 de novembro, Dia de Doar. Faremos a divulgação dos detalhes da campanha no evento criado em nossa página no Facebook. Conto com vocês para ampliar a cultura ambiental na sociedade e levar este senso de vínculo e pertencimento com a natureza para as crianças.

Foto: Renata Albuquerque 

16 novas placas instaladas

Praça Província de Saitama

Conhecer para respeitar. Esse é o lema do nosso projeto de identificação de espécies de árvores da Praça Província de Saitama. Em 2014, 44 espécies de árvores foram identificadas e um exemplar de cada espécie foi homenageado com um uma placa informativa. As placas foram doadas pela SAAP, através de um termo de doação junto à Prefeitura.

Nestes últimos dois anos, algumas árvores caíram. Outras novas foram plantadas. Diversas placas foram danificadas, algumas trocadas.

Desta vez, decidimos fazer uma revisão maior do projeto, incluindo inclusive 6 novas espécies, o que resultou em 16 novas placas instaladas no último dia 15 de dezembro. Essa revisão foi financiada com recursos de moradores vizinhos da praça.

Esse é projeto de parceria SAAP/USP/Árvores Vivas com o apoio de moradores do entorno da praça e da subprefeitura de Pinheiros.

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Projeto de mapeamento de árvores

Daqui a pouco fecharemos o ano com a instalação de mais placas na Praça Província de Saitama.

Praça Província de Saitama

novas-placas

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